Boffinianas

Lutando pela libertação econômica, social e política que abre a perspectiva para uma libertação em plenitude no Reino de Deus, ela está a serviço de uma causa universal. O capitalismo como sistema de convivência dissimétrica se apresenta como um empecilho à universalidade da Igreja na medida em que ele realiza somente os interesses de uma classe. Uma sociedade democrática e socialista ofereceria melhores condições objetivas para uma expressão mais plena da catolicidade da Igreja. Em outros termos, no capitalismo a catolicidade da Igreja corre o risco de permanecer na pura intencionalidade, da utilização dos mesmos símbolos, mas com conteúdos diferentes consoante a situação de classe. Ricos e pobres comungam juntos na igreja, mas se excomungam mutuamente na fábrica. Se na fábrica houvesse comunhão, a comunhão eucarística expressaria não apenas a comunhão escatológica no termo da história, mas já agora a comunhão real da sociedade.

(BOFF 2005, Pg 248)

BOFF, Leonardo. Igreja: Carisma e Poder. Rio de Janeiro: Record, 2005

Boffinianas

O fato de ser pobre e fraco não constitui apenas um dado sociológico; aos olhos da fé constitui um acontecimento teológico; o pobre, evangelicamente, significa uma epifania do Senhor; sua existência é um desafio lançado a Deus mesmo, que resolveu,um dia, intervir para restabelecer a justiça, porque a pobreza exprime uma quebra da justiça porque ela não é gerada espontaneamente, mas por um modo de produção expropriador. São os pobres os naturais portadores da utopia do Reino de Deus; são eles que carregam a esperança e a eles deve pertencer futuro.

(BOFF 2005, Pg 241)

BOFF, Leonardo. Igreja: Carisma e Poder. Rio de Janeiro: Record, 2005