A Realidade do Educador Musical no Município do Rio de Janeiro e o Ensino do Rock apresentado na Revista Música na Educação Básica

 

 

 

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ENEM (Ivan Cabral)

 

Riffs Forever: o rock na sala de aula

Este artigo é dedicado aos adolescentes, recomendam-se atividades a partir dos marcantes riffs de guitarra. Assim, os estudantes seriam motivados a usar a voz e os instrumentos disponíveis para tocar e reinventar o rock (editorial pg 7).

O artigo começa com uma explicação histórico-filosófica sobre o Rock. Num segundo momento, a autora inicia a ligação entre gênero e educação. Assim lemos:

Como abordá-lo [o rock] em sala de aula, sem guitarras, baixos elétricos, baterias, amplificadores e isolamento acústico? Minha preocupação é que não se crie uma caricatura de rock nem se reduza tudo a seções de apreciação e história. É possível contemporizar as ricas possibilidades do gênero e os recursos disponíveis nas escolas, dispondo da voz e de instrumentos acessíveis, como xilofones, flautas, percussão e alternativos. (pg 74)

As propostas apresentadas no artigo podem compor um projeto de semanas ou meses. Estas sugestões seguem o mesmo padrão em todas as músicas: levantamento histórico, análise musical do riff e ideias didáticas para a canção. Assim:

Para a canção Layla (Eric Clapton), pede-se (caso haja instrumentistas) acompanhamento, percussão e um registro gráfico ou no pentagrama do solo presente na música.

Em Smoke on the wather (Deep Purple) é sugerido que os educandos alternem o riff com improvisação nas estrofes ou refrão.

Para Sweet Child O’mine (Guns N’Roses), em um arranjo em grupo, o riff poder ser desdobrado entre instrumentos iguais (flautas, violões, xilofones) ou diferentes, incluindo a voz…. A linha mais aguda pode ser feita até com sinos ou garrafas com água (pg 79). sobre a base, outros alunos podem improvisar melodias, criar temas e letras. Assim como mudar de tonalidade (pg 80).

Em Hey Bulldog (The Beatles), sugere-se que o ideal é executar o riff no teclado, violão ou guitarra; ou também no metalofone cromático.

Na canção Beat It ( Michael Jackson), o riff pode ser cantado. Os alunos podem tocar essa parte no teclado, xilofone, flauta, violão ou outro instrumento melódico.

Para QUE PAÍS É ESSE (Legião Urbana), sugere-se a percepção da harmonia, solicitando ao um grupo de alunos que entoe a sequência das fundamentais dos acordes. A melodia pode ser tirada de ouvido no teclado , violão, flauta ou xilofone e acompanhada de percussão.

A autora fecha o artigo propondo uma composição coletiva de uma canção de rock. Os educandos devem criar um riff e pode-se até criar um festival, gravar e compartilhar as músicas em redes sociais. Afinal de contas: a qualidade do processo e dos produtos musicais depende, em grande parte, de habilidade, empolgação e criatividade do professor (pg 84).

Quando terminei de ler este texto, surgiu as seguinte indagação: de que adolescentes tratam? Crianças de 12 anos no ensino fundamental ou de 17, no ensino médio? Afinal de contas, existem enormes diferenças biológicas e pedagógicas entre estes extremos.

Quais são os instrumentos acessíveis para os alunos numa escola pública? Xilofones, teclados, flautas, percussão? Em quais escolas (incluo até as particulares) há um xilofone? Ou um metalofone cromático?

Estas propostas podem se estender por semanas ou meses, mas como aplicá-las? Como planejar este projeto tendo várias outras turmas?

Como registrar num pentagrama um solo bastantes complexo como o de Layla numa turma que pode conter até 40 educandos? Em muitas delas ninguém teve acesso a um instrumento. Em qual nível musical estariam estas crianças? Afinal de contas, muitas turmas têm aulas de educação musical em apenas alguns anos formação, ainda são raras as turmas que dispõe e educação musical durante quatro ou cinco anos na educação básica.

E as garrafas afinadas? 25, 30 ou 40 garrafas? Em quantas turmas? Quem transportaria e afinaria tantas garrafas? Afinal de contas, ainda são raras as escolas que disponibilizam uma sala de música. Quando tratamos das instituições públicas então…

Sinos?

Mudar tonalidade?

Criar um festival? Como? Além do tempo de planejamento que é escasso, um professor pode criar um festival? Quantos já foram criados? Numa realidade em que um professor chega a dar mais de 10 aulas por dia e ter mais de 800 alunos. Soma-se a isso o número de funcionários, técnicos, que quase sempre está abaixo do recomendável nas instituições públicas.

Gostaria de saber em quais escolas do ensino básico um professor pode encontrar metade dos instrumentos recomendados no artigo. Até mesmo escolas de renome não disponibilizam estes materiais. E quando tratamos de estudantes pobres? Estas propostas são viáveis em escolas que não oferecem nem materiais de maior urgência?

Em todo o artigo, não há informações sobre a aplicação desta proposta em uma escola de ensino básico.


Creio que a maioria destas perguntas não são respondidas nem realizadas em grande parte, com habilidade, empolgação nem criatividade do professor. Principalmente por um docente de uma escola pública !!!

Referências

ABEM. Música na Educação Básica, nº 4. Disponível em:http://abemeducacaomusical.com.br/publicacoes.asp#t3 . Último acesso:22/07/2015

 

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Vídeo da aula: Ditado rítmico de mínimas semínimas usando a canção MEU ERRO (Paralamas do Sucesso)

Olá amigos

Este vídeo apresenta pequenas cenas da aula Ditado rítmico de mínimas semínimas usando a canção MEU ERRO (Paralamas do Sucesso).

Caso queiram saber um pouco mais sobre a aula, é só clicar no hiperlink.

 

 

Ditado rítmico de mínimas semínimas usando a canção MEU ERRO (Paralamas do Sucesso)

Proposta: Iniciação ao ditado. Desenvolver a percepção rítmica, verbal e melódica no educando

Duração: 4 aulas (45 minutos cada).

Objetivos

Objetivos gerais: Articulação entre percepção e sensibilidade dos materiais sonoros. Fazer uso de formas de registro sonoro, convencionais na grafia e na leitura de produções musicais de outros.

Objetivos específicos: Registro de sons. Ditado rítmico usando mínimas e semínimas.

Procedimentos de ensino e atividades a serem trabalhadas: Grafar e ler, fazendo uso de estratégias diversas conforme pertinência.

Recursos: Reprodutor audiovisual (opcional), baqueta (opcional), quadro e fotocópias.

Aula

1- Distribuição das folhas, seguidas das explicações sobre uma partitura convencional. (5 mins)

2- O docente canta a primeira linha da partitura, marcando o pulso com uma baqueta ou com palmas. Logo, segue-se a explicação de que se a sílaba ocupa duas palmas o aluno deverá apenas colocar dois traços abaixo da bolinha (mínima); caso a sílaba só corresponda a uma palma, ela deverá ser escrever um traço abaixo da nota (semínima).

Bolinhas abaixo das notas.

Bolinhas abaixo das notas.

Após a colocação dos traços abaixo das notas, o educador começa a indicar que dois traços equivalem a uma nota branca (mínima) e um traço à uma semínima.

Caso o professor ache necessário, ele pode fazer a primeira linha com os educandos e, simultaneamente, ir explicando o exercício. (20 mins)

 

OBS: Na folha do professor (anexos), encontra-se uma escrita facilitada. Bem diferente da canção original.

3- Na segunda linha da pauta está faltando a sílaba “ça”. O docente deverá cantar toda a frase e pedir para que os educandos completem a letra. Outra alternativa é pedir que os estudantes advinhem qual palavra está incompleta.

Após completar a letra, repete-se o indicado no item 2. (20 mins)

4- Completar letra e tempo no terceiro sistema. (20 mins)

RECORTE MEU ERRO

5- Completar toda a letra , assim como os tempos. Como citado anteriormente. (20 mins)

CAPTURA 2

Meu_Erro FOLHA DO PROFESSOR

6- Cantar a canção. (5 mins)

OBS²: Obs: para a edição desta partitura, utilizei um software gratuito e aberto chamado musescore. Abaixo segue o link do programa:

http://musescore.org/pt-br

ANEXOS

Arquivo do Musescore da partitura (.mscz)

Partitura para impressão (.pdf)

Folha do Professor com o gabarito (.pdf)

Áudio da canção (.mp3)

Avaliação da Aula

Sabemos que entre a teoria e a prática, infelizmente, há uma distância enorme. Mesmo conhecendo os educandos com os quais eu iria trabalhar este ano, muitas coisas aconteceram entre a elaboração da aula e a execução.

Inicialmente, programei uma aula para este tema. Porém, como ainda sofro com falta de cadernos e o deslocamento para as salas, em todas as aulas fui obrigado a entregar e recolher a folha de exercício e andar com dezenas delas durante o dia.

2015-03-30 09.44.49

Tendo esta problemática, executamos uma média de dois sistemas por aula. Em algumas turmas, foram necessárias 4 aulas para completar a folha (por isso aumentei a proposta desta atividade de uma para quatro aulas). Outra atitude bastante demorada, mas que se mostrou muito eficaz, foi a ida ao quadro dos educandos que demonstrassem dificuldades.

Primeiro, outro estudante escrevia as bolinhas abaixo das notas. Num segundo momento, os educandos que aparentassem dificuldades preenchiam as notas como mínimas ou semínimas.

Numa turma que pode comporta até 40 crianças, faz-se necessário ir de mesa em mesa e avaliar o que cada uma está escrevendo. Muitos estudantes mal sabem onde escrever o nome e a turma (algo que precisa ser melhorado nesta partitura com a segunda revisão desta aula).

Como notado no vídeo, após completarmos a folha, pedi aos educandos que pintassem as notas pretas e as letras. Isso não foi uma boa ideia. Muitos pintaram todas as notas, inclusive as mínimas.

Para o próximo ano, espero encontrar menos dificuldades com o material didático e ter uma sala de música.

REFERÊNCIAS

MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) Artes. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro06.pdf Último acesso: 13/02/2015

Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Orientações Curriculares Música. Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/web/sme/exibeconteudo?article-id=798881 Último acesso: 13/02/2015