A CULTURA NO MUNDO LÍQUIDO MODERNO, segundo BALMAN

bauman

Apontamento sobre as peregrinações históricas do conceito de “cultura”

Bauman (2013) inicia esta obra defendendo a tese do inglês John Goldthorpe. Segundo a teoria do sociólogo de Oxford, na hierarquia das culturas, não se pode mais estabelecer prontamente a distinção entre a elite cultural e aqueles que estão abaixo dela a partir dos antigos signos (pg 7).

Em outras palavras, frequentar espetáculos musicais distantes do povo (como música de concerto ou Jazz), torcer o nariz para tudo o que é comum ou odiar programas populares de TV, não elevam estas pessoas à uma elite intelectual. Encontram-se, atualmente, nos meios “vulgares” cidadão que mantém o mesmo nível crítico seguindo um gosto distante da “alta cultura”.

Passamos por uma mudança na política de status dos grupos elitistas. Vários intelectuais se comportam de maneira onívora, consumindo variadas representações artísticas: de Led Zepelin à Ópera, do cinema comercial aos filmes cult.

Esta nova concepção de cultura vai de encontro ao pensamento de Pierre Bourdieu e sua afirmação de que as obras de arte destinadas ao consumo estético apontavam, assinalavam e protegiam as divisões entre as classes, marcando e fortalecendo legivelmente as fronteiras que as separavam. Assim como: o importante não eram tanto seus conteúdos ou suas qualidades inatas, mas suas diferenças sua intolerância mútua e o veto à sua resistência inata, imanente, a relação entre superiores e subordinados (pg 9).

Na obra “Distinção: Uma Crítica Social do Julgamento do Gosto”, de Pierre Bourdieu, a cultura aparece como um mecanismo de segregação social e salvaguarda para a manutenção do status quo da classe dominante. Notamos que na visão crítico reprodutivista do sociólogo francês, a cultura age como uma força socialmente conservadora. Este livro virou de cabeça para baixo o conceito original de “cultura” nascido no Iluminismo e transmitido como uma verdade universal.

Segundo o conceito original, a “cultura” seria um agente da mudança, do status quo, e não de sua preservação: ou, mais precisamente, um instrumento de navegação para orientar a evolução social rumo a uma condição humana universal. (…) O nome “cultura” foi atribuído a uma missão proselitista, planejada e empreendida sob a forma de tentativas de educar as massas e refinar seus costumes, e assim melhorar a sociedade aproximar “o povo”, ou seja, os que estão na “base da sociedade”, daqueles que estão no topo.

(BAUMAN 2013, pg 12)

Como podemos notar nesta tira da Mafalda, a cultura é usada como arma segregacionista  que ajuda a manter a "elite" na sua posição dominante como sugere Bourdieu.

Como podemos notar nesta tira da Mafalda, a cultura é usada como arma segregacionista que ajuda a manter a “elite” na sua posição dominante como sugere Bourdieu.

O termo “cultura” surge na sociedade como uma missão em prol dos menos herdados na recém criada sociedade burguesa. Este conceito chamava os educadores à cultivar as almas dos muitos que deveriam ser objetos de ensino. Neste passo da história, estava mais do que segregada a divisão do conhecimento/cultura. Havia a polaridade protetores/protegidos, supervisores/supervisionados, educadores e educados, entre outras.

O “projeto iluminista’ conferiu à cultura(compreendida como algo semelhante ao cultivo da terra) o status de ferramenta básica para a construção de uma nação, de um Estado e de um Estado-nação – ao mesmo tempo confiando essa ferramenta às mãos da classe instruída.

(BAUMAN 2013, pg 13)

Bauman adverte que, neste período, o crescimento econômico também resultou no crescimento populacional e na exclusão dos indivíduos excedentes. A tática utilizada pelos Estados-nações foi a de procurar novos territórios, além de suas fronteiras; territórios estes capazes de absorver esta população que não era mais acomodada dentro de seu país de origem. Agora, a missão da cultura tinha outros interesses sofistas: era esquecida a visão de “esclarecimento do povo” e forjava-se o conceito de “missão do homem branco”, assim como o conceito de “salvar o selvagem do seu estado de barbárie”.

Em pouco tempo, surgiria a teoria evolucionista que promoveria o mundo “desenvolvido” ao status de perfeição inquestionável, sendo esta imitada e ambicionada pelo restante do planeta.

Na busca desse objetivo, o resto do mundo deveria ser ativamente ajudado e, em caso de resistência, coagido. A teoria cultural evolucionista atribuiu à sociedade “desenvolvida” a função de converter os demais habitantes do planeta. Todas as suas iniciativas e realizações futuras fora reduzidas ao papel destinado a ser desempenhado pela elite da metrópole colonial perante seu próprio “populacho” metropolitano.

(BAUMAN 2013, pg 14)

Como dito anteriormente, Bourdieu captou a função da cultura como legitimadora do status quo, da reprodução monótona da sociedade e da manutenção e do equilíbrio do sistema.

Esta função legitimadora constitui, segundo Bauman, a transformação da modernidade de sua fase “sólida” para a “líquida”. Segundo o sociólogo polonês, a expressão “modernidade líquida” é usada para denominar o formato atual da condição moderna, descrita por outros autores como “pós-modernidade”, “modernidade tardia”, “segunda modernidade” ou “hipermodernidade”. O que torna “líquida” a modernidade é a sua “modernização” compulsiva e obsessiva, capaz de impulsionar e intensificar a si mesma, em consequência do que, como ocorre com os líquidos, nenhuma das formar consecutivas de vida social é capaz de manter seu aspecto por muito tempo (pg 16).

Pode-se dizer que, em tempos líquido-modernos, a cultura (e, de modo mais particular, embora não exclusivo, sua esfera artísticas) é modelada para se ajustar à liberdade individual de escolha e à responsabilidade, igualmente individual, por essa escolha; e que sua função é garantir que a escolha seja e continue a ser uma necessidade e um dever inevitável da vida, enquanto a responsabilidade pela escolha e suas consequências permaneçam onde foram colocadas pela condição humana líquido-moderna – sobre os ombros do indivíduo, agora nomeado para a posição de gerente principal da “politica de vida”, e seu único chefe executivo.

(BAUMAN 2013, pg 17)

Atualmente, a cultura consiste em ofertas, e não em proibições; em proposições, não em normas. Em nossa sociedade consumista, a cultura se manifesta como arsenal de artigos destinados ao consumo. Logo, o sinal de pertencimento a uma elite cultural é um ato ultrapassado.

Capada da Edição Homônima ao post.

Capada da Edição Homônima ao post.

Uma economia liquido-moderno voltada para o consumo, acaba criando um excedente de ofertas, sendo estas já obsoletas quando são lançadas. Isto em parte deve-se ao grande número de ofertas e a falta de consistência do novo produto. Bauman utiliza o termo “intervalo reduzido entre aquisição e alienação”, as ofertas são substituídas por produtos “novos e melhores”.

A cultura de hoje se assemelha a um grande supermercado: as prateleiras estão lotadas de atrações que são trocadas diariamente.

Sobre moda, identidades líquidas e utopia nos dias atuais: algumas tendências culturais no século XXI

Bauman considera a moda como um exemplo clássico sobre a sociedade liquida. A indústria do vestiário impõe todos os anos novas tendências e logo esquece o que foi indicado a poucos anos atrás. É obvio que somente interesses financeiros estão atrás de toda essa “evolução” que tem um fim em si mesmo. O autor vê este “progresso” como um tipo de mudança que diminui, difama e, em outras palavras, desvaloriza tudo aquilo que ela deixa atrás de si e substitui por algo novo.

O progresso em suma, passou do discurso da melhoria compartilhada da existência para o discurso da sobrevivência pessoal. Ele não é mais pensado no contexto de um desejo de velocidade, mas de um esforço desesperado para não sair fora do caminho e evitar a desqualificação e a exclusão da corrida. Pensamos em “progresso” não no contexto de elevar nosso status, mas de evitar o fracasso.

(…)

O tempo realmente passa, e o truque é manter o mesmo ritmo dele. Se você não quer afundar, deve continuar surfando, ou seja, continuar mudando, com tanta frequência quanto possível, o guarda-roupas, a mobília, o papel de parede, a aparência e os hábitos – em suma, você.

(BAUMAN 2013, pg 27)

Cultura: da construção da nação ao mundo globalizado

Há um aspecto no processo de globalização que ainda é pouco discutido no contexto da mudança dos paradigmas da pesquisa e da teoria cultural: o caráter diferenciador da migração global.

A migração em massa, ou migração de pessoas (em oposição à migração de povos, que ocorreu na Idade Média), foi parte integrante da modernidade e da modernização. Bauman identifica 3 fases deste período migratório de pessoas durante a história moderna.

A primeira foi a emigração de cerca de 60 milhões de pessoas da Europa durante o período de povoamento do “novo mundo”. Tratava-se, como citado anteriormente, de um território superpovoado que necessita “exportar” a população para a colônia, usando entre outros artifícios a cultura sendo esta a “missão do homem branco”.

Na segunda fase ocorre o inverso migratório: com o declínio dos impérios coloniais, algumas das populações nativas seguiram os colonialistas que retomavam à terra natal.

Fluxos migratórios modernos, segundo Balman

A terceira fase da migração moderna, ainda em desenvolvimento e ganhando ímpeto, introduz a era das diásporas. Segundo o sociólogo polonês, este termo se refere à um arquipélago infinito de colônias étnicas, religiosas e linguísticas conduzido pela lógica da redistribuição global dos recursos vivos no atual estágio de globalização.

Esta nova desfragmentação territorial e da origem humana acaba criando novas interpretações sobre a sociedade. Atualmente, os direitos humanos pregam mais uma tolerância mútua, do que uma solidariedade.

Algo interessante ocorre, os governos indiretamente acabam apoiando a entrada de imigrantes ilegais, tendo como objeto a atuação destes cidadãos em funções que a população local considera inferiores.

Após a desconstrução do tradicional comércio local, as pessoas, privadas de seu rendimentos ou de qualquer esperança de tornar a obtê-los, se tornam presas fáceis de organizações criminosas semilegais especializadas no “tráfico dos seres vivos”. Na década de 1990, essas organizações ganharam cerca de US$ 3,5 bilhões por ano com a imigração ilegal – e o apoio tácito de governos que “olhavam para o outro lado” não deixou de ser comentado. Quando as Filipinas, por exemplo, tentaram equilibrar o orçamento do Estado e pagar parte da dívida governamental com a lucrativa exportação de seu excedente humano, os governos de Estados Unidos e Japão aprovaram leis permitindo a importação de trabalhadores estrangeiros (em geral menos exigentes que a população local) para ocupar empregos cujas escalas de pagamento os nativos não estavam dispostos a aceitar; esses imigrantes oferecem sua mão de obra por uma ninharia.

(BAUMAN 2013, pg 40)

No ramo da cultura, a nova indiferença à diferença (principalmente sobre os imigrantes da grande diáspora) aparece com o rótulo do “multiculturalismo”. Sobre este termo, Bauman explica que:

Na realidade, contudo, o multiculturalismo age como uma força socialmente conservadora. Seu empreendimento é a transformação da desigualdade social, fenômeno cuja aprovação geral é altamente improvável, sobre o disfarce da “diversidade cultural”, ou seja, um fenômeno merecedor do respeito universal e do cultivo cuidadoso. Com esse artifício linguístico, a feiura moral da pobreza se transforma magicamente, como que pelo toque de uma varinha de condão, no apelo estético da diversidade cultural. O fato de toda a luta por reconhecimento estar destinada ao fracasso se não for apoiada pela prática da redistribuição se perde de vista neste percurso, assim como os clamores por respeito às diferenças culturais trazem pouco conforto a muitas comunidades desprovidas do poder de independência em virtude de suas desvantagem, fadadas a ter suas “próprias escolhas feitas por outras forças, mais substanciais.

(BAUMAN 2013, pg 46)

A ideia de multiculturalismo acabe se tornando uma marionete de uma globalização selvagem e negativa. o costume antes comum de explicar as privações sociais pela inferioridade inata da raça, foi substituído por uma interpretação “politicamente correta”. Esta interpretação consiste em justificar a desigualdade sociais como resultado de uma multiplicidade de escolhas da sociedade em questão.

 

Referências:

BAUMAN, Zygmunt. A cultura no mundo líquido moderno. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. 1ª edição. Rio de Janeiro: ed Zahar, 2013

As teorias crítico-reprodutivistas e a escola dualista (FICHAMENTO)

Este post trata de um fichamento que compreende parte do capítulo 15 do livro Filosofia da Educação (ARANHA, 2006). Nesta parte da obra, a autora disserta sobre as críticas pertinentes à escola formal, instituição essa estabelecida na década de 70 do século passado.

1 Teorias crítico-reprodutivistas

Desde muito cedo, escutamos que estudando poderíamos crescer na vida e ganhar muito dinheiro. A crença otimista da escola como “instrumento de equalização”, ou seja, como meio de tornar iguais as chances para indivíduos que pertencem a classes diferentes, também atraiu muitos teóricos da educação.

Durante as décadas de 60 e 70 do século passado, diversos intelectuais franceses (oriundos principalmente das ciências sociais) chegaram praticamente na mesma conclusão: a ideia da função equalizadora da escola era ingênua, porque, em vez de democratizar, a escola reproduz as diferenças sociais, perpetua o status quo e, por isso, é um instituição altamente discriminatória e repressiva (pg 252).

BOURDIEU E PASSERON: A VIOLÊNCIA SIMBÓLICA

Estes autores franceses escreveram duas obras: Os Herdeiros (1964) e A Reprodução (1970). Nestes escritos, encontramos severas críticas à instituição escolar ao analisar esta cultura a partir dos condicionantes sociais, concluindo pela total dependência da escola em relação à sociedade.

O mérito destes autores está em desfazer a ilusão de autonomia absoluta do sistema escolar. Neste caso, a escola está diretamente unida ao contexto social, marcando os indivíduos submetidos à educação de maneira inevitável e irreversível. Encontramos nestas características o que os autores chamam de: violência simbólica, escondida através de uma neutralidade pedagógica.

Denominamos violência simbólica o exercício do poder de imposição das ideias transmitidas por meio da comunicação cultural, da doutrinação política e religiosa, das práticas esportivas da educação escolar. A violência simbólica leva as pessoas a agir e a pensar por imposição, sem se darem conta dessa coação. Nesse sentido, a cultura e os sistemas simbólicos em geral podem se tornar instrumentos de poder quando legitimam a ordem vigente e tornam homogêneo o comportamento social (pg 252).

Desta maneira, a escola acaba se transformando em mais um instrumento de violência simbólica, já que, reproduz os privilégios existentes na sociedade e beneficia os socialmente favorecidos. O sucesso nos estudos está reservado àqueles cujas famílias pertencem à classe dominante, ou seja, os “herdeiros” do sistema vigente.

Os habitus são inculcados desde a infância por um trabalho pedagógico realizado primeiro pela família e, posteriormente, pela escola, de modo que as normas de conduta que a sociedade espera de cada indivíduo sejam interiorizadas por ele. Ora a educação familiar das crianças vindas das classes privilegiadas é muito próxima daquela que receberão na escola, isto é, seus hábitos familiares são semelhantes aos hábitos e ritos escolares. São crianças acostumadas a viagens, visitas a museus, contato com livros, discussões, além de ter o domínio da linguagem que é adotada na escola.

(ARANHA, Maria Lúcia Arruda 2006 pg 253)

Outras características são facilmente notadas: o “falar vulgar” é recriminado em relação ao “falar burguês”.

Torna-se bastante frequente a explicação de que as desigualdades com relação ao sucesso escolar resultam de “desigualdades naturais”. Logo, o sucesso dos educandos decorre de dotes naturais, qualidades inerentes, mérito pessoal, etc. Para os reprodutivistas, este tipo de justificativa representa uma forma de mistificação e de mascaramento das verdadeiras causas do insucesso escolar. O que essa “ideologia do dote” dissimula é a imposição da cultura de classe dominante sobre a classe dominada, levando a efeito pela ação pedagógica (pg 253).

Para os autores, as autoridades educacionais impõem sanções, determinando o reconhecimento da cultura dominante. Além disso, o sistema se baseia em formas aparentemente “neutras” de avaliação, tais como provas e exames, nos quais os excluídos (os menos dotados) acabam se reconhecendo como incompetentes.

ALTHUSSER: A ESCOLA COMO APARELHO IDEOLÓGICO DO ESTADO

O filosofo francês, considera a função da escola não de forma isolada, mas inserida no contexto da sociedade capitalista. Assim, desenvolveu a noção de aparelho ideológico do Estado. A instituição escolar reproduz a ideologia dominante, ao mesmo tempo, que ensina um saber prático. A noção de IDEOLOGIA representa: o conjunto de ideias da classe dominante estendido à classe dominada e que visa a manutenção da dominação. Por meio da ideologia, a exploração é mascarada e os valores da burguesia passam a ser considerados universais, não mais valores de determinada classe, impedindo o pensar do trabalhador (pg 254).

Louis Althusser (1918-1990). Frase retirada de: Ideologia e Aparelhos ideológicos do Estado (Bibliografia, pg 118)

Louis Althusser (1918-1990). Frase retirada de: Ideologia e Aparelhos ideológicos do Estado (Bibliografia, pg 118)

Althusser segue Marx desfazendo a crença na qual o Estado trabalha para o bem comum. Um exemplo bem claro disso é a justiça em nossa sociedade. Nem todos são punidos da mesma forma, já que, quem legisla e aplica a lei é a classe dominante, assim, conclui-se que ela tende a favorecer seus interesses.

Para o autor, a classe trabalhadora é marginalizada quando a escola não oferece chances iguais para todos, mas, ao contrário, determina de antemão a reprodução da divisão das classes sociais. Além disso, pela abrangência de sua ação, inculca a ideologia dominante e impede a expressão dos anseios da classe dominada.

(ARANHA, Maria Lúcia Arruda 2006 pg 255)

2 BAUDELOT E ESTABLET: A ESCOLA DUALISTA

Os franceses Roger Establet e Christian Baudelot escreveram em 1971 “A escola capitalista na França”. Um dos pontos bastante interessantes trata da crítica que os autores fizeram aos seus compatriotas Bourdieu e Passeron. O livro observa a contradição real entre classe dominante e classe dominada e leva em conta a força latente da ideologia do proletariado.

Para Establet e Baudelot, se vivemos em uma sociedade dividida em classes, não é possível haver uma escola única. Existem na verdade duas escolas totalmente diferentes, antagônicas em todos os sentidos. As duas grandes redes de escolaridade são a secundária superior (SS) e a primária profissional (PP), que corresponde a divisão da sociedade proletária e burguesa.

Desde o começo, os filhos dos proletariados são destinados a não atingir níveis de ensino superiores, sendo encaminhados para atividades manuais. A escola, neste caso, tem a função de reproduzir as divisões sociais já existentes.

Desse modo, observa-se que a escola reafirma a divisão entre trabalho intelectual e trabalho manual, já que nessa dicotomia repousa a possibilidade material da manutenção da estrutura capitalista.

Diferente de Bourdieu e Passeron, para Establet e Baudelot o proletariado possui ideologia própria, que se origina fora da escola, nas diversas organizações de operários. Por isso, cabe à escola não só inculcar a ideologia burguesa, mas também recalcar e disfarçar a nascente ideologia do proletariado.

BIBLIOGRAFIA

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação, 3ª edição, editora Moderna 2006

ALTHUSSER, Louis. Idelologia e Aparelhos Ideológicos do Estado; Tradução Joaquim José de Moura Ramos. Editora Presença Ltda, Lisboa/Portugal (sem data)