Peixe Vivo

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Olá amigos professores.

Nesta atividade proponho o aprendizado da canção popular PEIXE VIVO. Para o apoio pedagógico, incluo a partitura icônica desta música para o auxílio na alfabetização, assim como desenvolvo a iniciação de figuras encontradas na pauta, neste caso, o RITORNELLO.

Espero ajudar, até a próxima !!!

2015-05-29 15.17.08-6Proposta: Aprendizado de uma canção popular brasileira e iniciação à leitura de partitura, usando para isto uma pauta icônica com a introdução de figuras presentes na representação musical: Ritornello.

Duração: Uma ou duas aulas (45 minutos cada).

Faixa etária: 1º e 2º anos do ensino fundamental

 

Objetivos

Objetivos gerais: Desenvolver a sensibilidade estética, a percepção musical por meio das práticas tradicionais lúdicas orais e coletivas da infância.

Desenvolver a apreciação estética/ leitura interpretativa de diferentes sons produções musicais, produzindo respostas emocionais à música.

Peixe vivo Partitura IcônicaObjetivos específicos: Perceber gestos expressivos em sequências musicais: repetições contrastes, variações. Identificar aspectos da organização musical: sequências, repetições, ostinatos, agrupamentos rítmicos, quadraturas etc.

Procedimentos de ensino e atividades a serem trabalhadas: Execução de uma canção popular concomitante à partitura icônica desta música.

Recursos: Reprodutor de áudio ou instrumento harmônico, Projetor ou quadro, folha com a partitura icônica.

AULA

1- A aplicabilidade desta aula varia de acordo com os materiais disponíveis. Na maioria das vezes, começava a contar uma história de uma peixinho na lagoa. Desta maneira perguntava para as crianças: quem já foi para uma lagoa? A água é quente ou fria?
Assim, já surgiam as primeiras frases da canção: como pode peixe vivo viver fora da água fria?

O professor pode usar esta dica para ir passando tanto a letra quanto a melodia da canção. Não foi necessária escrever a letra. Geralmente, os educandos conseguem. Uma outra atividade é o rodízio de cantores: o docente pode dividir meninos e meninas, um grupo canta a primeira parte e o outro repete. Veja no vídeo:

 

2- A segunda parte da atividade trata da compreensão da partitura icônica: o docente pode pedir para que as crianças tentem decodificar as letras e figuras. Em algumas situações, é melhor começar por esta etapa. Por último, perguntava que sinal estranho era aquelas duas bolinhas? (ritornello).

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2º Ano

OBS: A partitura icônica está disponível na seção Anexos deste post. Disponibilizo dois arquivos: o pdf e um executável (.odg- Libre Office Draw) para possível edição.

PartituraAnexos

Partitura Icônica (.pdf)

Arquivo editável da Partitura Icônica (.odg -libreoffice Draw)

Partitura (.pdf)

Arquivo editável da partitura (.mscz – musescore)

Avaliação da Aula

Esta atividade foi aplicada em 8 turmas do 1º e 2º anos do ensino fundamental. O número de estudantes variam de 20 à 30 por sala. Esta canção foi bem recepcionada pelos educandos: por se tratar de crianças no início da carreira escolas (6 e 7 anos), toda atividade é considerada como brincadeira e praticamente não há imposições do lado estudantil.

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1º Ano

Um fato que me entristece é que a maioria dos estudantes nunca haviam escutado esta música. Como mostrado em aulas anteriores, a maioria deles apenas conhece a industria musical veiculada pelos grandes meios televisivos, e esta canção está longe das características consumistas e comerciais da atualidade.

Uma aula é muito pouco para a passagem e internalização da melodia. Trabalhei a canção nos tempos restantes de outras aulas e antes de introduzir a partitura icônica. Infelizmente, o único contato que as crianças têm com está música acontece durante os 45 minutos da aula. Outro contato ou execução da mesma só será feito na semana seguinte (isso se o educando não faltar ou não for feriado), esta distância compromete e muito a aprendizagem, assim como a afinação.

1º Ano

1º Ano

A afinação foi um quesito que deixou a desejar. Em turmas com este quantitativo de alunos, não é raro encontrar crianças que não falam ou cantam, mas sim gritam (talvez um reflexo de como são tratadas. Afinal de contas, não é difícil encontrar mães que não conversam, mas sim gritam com seus filhos). O problema causado por isso é que por mais que tentemos conversar e pedir para alguns educandos, eles acabam gritando ou invés de cantar. Há de se notar que nos vídeos selecionados, aparecem apenas algumas crianças. Estas imagens foram feitas em dias nos quais não houve presença maciça de alunos, mesmo assim, encontramos crianças cantando de forma errada.

A partitura icônica foi compreendida sem grandes dúvidas. O que dificultou a dinâmica de aprendizagem foi a falta dos cadernos para a aula de música. A Prefeitura do Rio de Janeiro doa (mesmo que atrasado) o material básico de ensino para os alunos composto de cadernos e lápis de cor. No início do período letivo, pedi encarecidamente aos professores regentes de turma (a escola não tem sala de música) que disponibilizassem um espaço para que os educandos pudessem guardar estes cadernos. Quase metade dos mestres negou meu pedido. Como na época tinha 26 turmas, não haveria como administrar quem levaria este material para casa e quem deixaria em sala, assim, resolvi liberar este caderno para que todos os estudantes o levassem para suas residências.

2º Ano

2º Ano

Sinceramente, isto causou um grande problema no desenvolvimento das aulas de música na instituição: devido à idade e também falta de comprometimento dos pais, muitos educandos esqueciam o caderno (alguns nunca levaram). Logo, muitos não recebiam a folha e faziam o trabalho como amigo mais próximo (como visto nas imagens). Em uma das turmas, num universo de 30 estudantes, apenas três trouxeram o caderno.

2015-05-22 13.38.55-2O pouco tempo também atrapalhou a pintura e interpretação da partitura icônica em turmas próximas aos horários de entrada, saída e recreio. Em muitos casos, não conseguimos terminar esta atividade em 45 minutos. Deve-se a isto o tempo que era gasto com a chegada/saída de educandos da sala, assim como o ato de retirar, colar e guardar os cadernos. Como são crianças muito pequenas, não há como liberar a colagem da folha por estes educandos, logo cabia a mim executar esta tarefa para 30 crianças. Caso houvesse um maior entendimento com os regentes de turma, poderíamos resolver facilmente este problema.

2015-05-22 13.38.17-5Talvez, alguns leitores esteja perguntando: para que pintar folhas se as crianças já aprenderam a canção? Vários motivos me levaram à utilizar este material: os alunos tem pouco contato com a música, logo ter ela escrita poderia auxiliá-los em casa se ocorresse alguma dúvida; um professor de matrícula 40 horas, como eu, é obrigado a dar 28 aulas semanais (chegava a dar 10 por dia, e há relatos de docente que encaram 15 aulas), o que torna quase insalubre trabalhar somente a prática nestas aulas. Assim podemos notar que a realidade do educador musical carioca e brasileiro é bem diferente da teoria do métodos ativos europeus…

2015-05-22 14.41.38-2Nem todas as salas tinham projetores (um até parou de funcionar no momento em que dava esta lição), logo tive que colocar em prática meus dotes nada artísticos e desenhar a partitura icônica. Já que o tempo era escasso, resolvi desenhar apenas as partes nas quais os educandos apresentavam dificuldades. Devo lembrar que a Prefeitura do Rio de Janeiro apenas disponibiliza uma caneta “pilot” na cor preta 2015-05-22 10.40.51-4para que o professor escreva durante o ano todo (a carga mal dura uma semana !!!). Sendo assim, fui obrigado a comprar um jogo de canetas coloridas e tinta, o que saiu por mais de cem reais (do meu bolso é claro !!!). Para economizar tempo, somente as frases que apresentavam mais dificuldades era desenhadas no quadro.

A símbolo RITORNELLO foi entendido sem maiores dificuldades, como as crianças já tinham internalizado a canção, era só perguntar para onde iriam voltar.

Creio que a musicalidade seja uma construção e apesar da total falta de estrutura, continuo tentando. E viva à esperança !!!

Referências

Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Orientações Curriculares Música. Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/web/sme/exibeconteudo?article-id=798881 Último acesso: 13/02/2015

A Realidade do Educador Musical no Município do Rio de Janeiro e o Ensino da Escrita Musical apresentado na Revista Música na Educação Básica

Sem Título (Ivan Cabral)

Sem Título (Ivan Cabral)

Trilha de sons, construindo a escrita musical

Este artigo aborda o conceito de paisagem sonora e propõe atividades de percepção, apreciação, escuta crítivo-reflexiva, entre outras. No editorial, somos informados que a autora obteve experiências desta atividade com alunos da segunda fase do ensino fundamental.

O estudo é iniciado apresentando atividades com exemplos de vídeos e tabelas. Segue-se com descrições simbólicas dos vídeos até a criação de uma partitura Icônica.

Para a execução desta partitura são propostos o uso do próprio material de estudo do educando (cadernos, cadeiras e até mesmo a própria porta da sala), assim como materiais alternativos (caixas de papelão, sacos plásticos e latinhas com grãos).

Para melhor exemplificar esta atividade, vídeos demostrando a prática da pesquisadora são indicados. Neles, podemos notar a professora mostrando com uma régua a passagem da gravura na qual os educandos interpretam.

O artigo é finalizado propondo tópicos de avaliação para a atividade.

De todos os artigos da publicação, este é o que mais se adapta à realidade do ensino público brasileiro. Como relatado acima, a autora pode ter praticado esta atividade em uma “turma real” dentro de uma instituição de ensino básico. Trata-se até aqui, de uma situação inédita.

O artigo apresenta um ótimo vídeo para a criação da partitura icônica, mesmo com a dificuldade que os professores do Brasil tem com a exibição de vídeos, esta proposta não apresenta grande dificuldades.

Apesar de constar abaixo do nome da autora o subtítulo: Secretaria da Educação do Estado de Goiás, não foi descrito em que esfera as aulas foram dadas (se numa escola pública ou em uma particular). Muito menos em que séries, características, números de alunos por turma ou o período em que foram gravados os vídeos. Esta informações ajudariam e muito na adaptação desta proposta à cada singularidade educacional. vemos o quadro negro nas imagens. Não há como saber o número de educandos por turma, se eles estava em uma oficina ou numa aula regular.

Gostaria muito que estas aulas fossem melhor descritas: quantas aulas levaram, dificuldades enfrentadas. Como relatei anteriormente, os professores já são obrigados a criar várias aulas (só este ano há uma média de 30 aulas por ano/turma). Quanto mais facilidades nós encontrarmos, mais tempo teremos para outros planejamentos.

Referências

ABEM. Música na Educação Básica, nº 4. Disponível em:http://abemeducacaomusical.com.br/publicacoes.asp#t3 . Último acesso:22/07/2015