AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL –José Dias Sobrinho (FICHAMENTO)

Olá a todos. A ideia principal deste post é a junção de dois artigos de José Dias Sobrinho, encontrados na sua organização com Newton Cesar Balzan, intitulada: Avaliação Institucional – teoria e experiência (Cortez editora, 2011).

Nesta obra encontramos os textos – Universidade: Processos de socialização e processos pedagógicos (pg 15) e; Avaliação institucional, instrumento da qualidade educativa (pg 53). Para um melhor entendimento da obra, invertemos a ordem na qual eles aparecem originalmente. O artigo Avaliação institucional, instrumento da qualidade educativa; será apresentado primeiro. Isto se deve ao caráter mais filosófico do primeiro escrito.

 

TEXTO 1

AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL, INSTRUMENTO DA QUALIDADE EDUCATIVA: A EXPERIÊNCIA DA UNICAMP

Parte I: marco teórico

Não há outra instituição mais habituada à avaliação do que a escola, em qualquer de seus níveis e independente de sua natureza jurídica. Porém, não é da avaliação punitiva, aplicada na maioria das escolas, que iremos tratar. A avaliação institucional ultrapassa amplamente a questão das aprendizagens individuais e busca a compreensão das relações e das estruturas. Tendo em vista que seus processos são públicos e por ser uma instituição social, criada e mantida pela sociedade, a universidade precisa avaliar-se e tem o dever de se deixar avaliar para conhecer e aprimorar a qualidade e os compromissos de sua inserção na história.

Não é de se estranhar que a exigência da avaliação tenha crescido na mesma proporção que a crise orçamentária e social das instituições superiores brasileiras. Sobre isso podemos notar que:

Governo e imprensa facilmente igualam todas as universidades e as nivelam por baixo como se todas estivessem despudoradamente possuídas por um pacto de mediocridade. Igualadas no valor comum da ineficiência (termo que precisa ser discutido), da mediocridade e até mesmo de uma suposta rala ética, as universidades teriam de passar por um processo de avaliação. Por esta ótica e com tais disposições encampa-se a universidade fragilizada para, a pretexto e por meio da avaliação, expor publicamente as suas mazelas, que certamente existem, como se fossem doenças geradas e desenvolvidas unicamente pela incompetência e pela irresponsabilidade dos membros da comunidade universitária.

(DIAS SOBRINHO 2011, pg 54)

Levando em consideração que existem níveis diferentes de eficiência na realidade brasileira, é preciso pensar no plural: universidades, quando nos referimos à avaliação institucional destes organismos. Há histórias e dificuldades ímpares de cada instituição, logo, temos que caracterizadas como singulares e heterogêneas.

O ensino superior deve rejeitar a avaliação com propósitos de hierarquização e distribuição, ou melhor, restrição orçamentária. Assim como, discordar de indicadores que levam em consideração índices de “produtividade”.

Não satisfaz a transposição da lógica da indústria para o campo educacional. Este é semanticamente muito mais disperso e complexo, porque composto de sentidos e valores sociais, éticos e políticos. (…) a universidade não produz “produtos” acabados e prontos para o consumo, como faz a indústria. (…) Ela forma cidadãos para intervirem crítica e produtivamente na sociedade.

(…)

Qualidade educativa é expressão que atende melhor que eficiência e produtividade.

(DIAS SOBRINHO 2011, pg 55 grifos meus)

A universidade é uma instituição pedagógica e construída historicamente. Por isso, é melhor compreendida quando vista nos seus dispositivos de ação, e não nos seus “produtos destacados”.  O sentido pedagógico da avaliação institucional não está em seu resultado final, quantificado em produto. Mas sim nos movimentos intersubjetivos que compõe a universidade. Construir o conhecimento é ao mesmo tempo construir as sociedades e as condições de vida futura da humanidade (pg 56).

Como produção social, e fazendo parte de um sistema de comunicação organizado, o conhecimento apresenta valor político e ideológico que extravasa o sentido prático e utilitarista da capacitação profissional. Os processos de conhecimento e de aprendizagem são afetados por valores sociais de um determinado momento e grupo. Toda disciplina se inscreve num sistema de comunicação sócio-ideológico e por isso reafirma e nega concepções, atitudes e imagens em relação à ciência e à sociedade; provoca emoções distintas e afrontamentos de valores contraditórios; faz aflorar as tendências dominantes de produzir e interpretar as ciências em suas diversas formas (pg 58).

Avaliar não é só criar um banco de dados, embora isso seja muito importante. Não é apenas medir o grau de aprendizagem dos alunos e professores. A avaliação deve ser um empreendimento coletivo que busque compreender os sentidos dos múltiplos e até mesmo contraditórios processos relacionais que produzem a universidade enquanto “comunidade da comunicação” (pg 59).

Quando se avaliam conteúdos explícitos é importante não se esquecer de que a ciência é um processo dinâmico, que a “verdade” científica é parcial e temporária. Uma vez que a qualidade educativa é sempre concernida pela qualidade social, vale dizer, é relativa à qualidade da sociedade que queremos para hoje e projetamos para o amanhã. Seu conceito não é inequívoco ou fixo, e só pode ser construído por consensos, como resultado de relações de força. A noção de qualidade é uma construção social, variável conforme os interesses dos grupos organizados dentro e fora da universidade (pg 60).

A avaliação institucional não é instrumento de medida, atividades de indivíduos isolados, nem de trabalhos descolados de seus meios de produção; não é mecanismo para exposição pública de fragilidades ou ineficiências de profissionais individualizados. A avaliação institucional deve ser promovida como processo de caráter essencialmente pedagógico.

(DIAS SOBRINHO 2011, pg 61)

Além de promover os juízos de valor sobre todas essas funções e apontar as formas para incrementar a sua qualidade, a avaliação institucional deve tratar de suscitar as grandes reflexões e os questionamentos mais radicais sobre a condição da universidade no mundo contemporâneo, os significados de seus trabalhos, a dimensão ético-política de seus projetos e de seus compromissos.

Com o advento da cultura pós-moderna, o ser humano fica obrigado conhecer a multidimensionalidade da realidade. Logo, esta postura inclui a possibilidade de aceitar saberes não científicos, de valorizar as funções simbólicas, de intensificar os questionamentos, para colocá-los junto às respostas científicas e técnicas a serviço de uma imagem mais integrada do mundo e de seu desenvolvimento (pg 62).

Abaixo, seguem alguns verbetes nos quais Dias Sobrinho (2011) descreve como mais importantes para o esforço de compreensão da avaliação institucional referida às universidades.

1-      Totalidade

A avaliação institucional deve ser uma ação sistemática e global, que ultrapasse amplamente as avaliações pontuais e corriqueiras. A avaliação deve ser radical, no sentido de um questionamento rigoroso e sistemático de todas as atividades da universidade, seus fins e seus meios: ensino pesquisa e extensão, bem como gestão, infraestrutura e condições gerais de trabalho.

 

2-      Integração 

A avaliação requer a postura dinâmica de conhecer, produzir e cimentar as relações, de construir a articulação e a integração dos diversos níveis, áreas e dimensões institucionais. Não deve buscar, portanto, o conhecimento isolado de departamentos, cursos ou até mesmo de docentes individualmente. Para além do entendimento das partes, ela deve conduzir à compreensão e construção das totalidades integradas.

3-      Processo

Educação é um processo inscrito no tempo total da vida humana. É um meio permanente que nunca se satisfaz. Não se esgota com a obtenção de créditos formais, ou com a aquisição de títulos e diplomas.

Da mesma forma que o processo educacional, a avaliação institucional também não há de se extinguir com a elaboração de relatórios e de diagnósticos, com o julgamento de resultados e ações já cumpridas. É um processo e como tal deve inscrever-se na vida total da instituição, isto é, realizar-se como cultura. Tem os seus movimentos distintos, os seus tempos presentes e o passado, mas não pode deixar de ser pró-ativa ou prospectiva, pois que deve ajudar o processo educativo global a produzir as condições necessárias para os desenvolvimentos futuros.

(DIAS SOBRINHO 2011, pg 65)

Devemos ressaltar o caráter construtivo e otimista da avaliação. Ela conhecerá as carências e tudo o que pode ocorrer de negativo na instituição.  Porém, a avaliação não pode ser pensada com um caráter punitivo, já que se trata de um processo formativo, contínuo e permanente.

4-      Pedagogia

A avaliação é uma prática de sentido pedagógico, tanto nos aspectos técnicos quantos nos formativos. A avaliação institucional é um importante mecanismo de produção de conhecimento e de juízos de valor sobre a própria universidade. A avaliação intervém qualitativamente no desenvolvimento dos processos e nas estruturas comunicativas da universidade, atuando como dispositivo educativo das pessoas que nelas se envolvem (pg 66).

5-      Orientação formativa

Duas orientações básicas são apontadas na educação: a somativa e a formativa.

A somativa é uma orientação voltada a avaliar ações ou produtos já realizados. Largamente utilizada para cobrar, medir, fiscalizar, hierarquizar. Tem caráter burocrático e tecnocrático, agradável ao nosso meio governamental.

A orientação formativa tem função instrumental e pró-ativa:

O processo de elaboração de conhecimento e de crítica, que constitui a avaliação, também produz no interior de seu próprio desenvolvimento a tomada de consciência da necessidade de transformação do processo mesmo que a avaliação e de seus agentes, bem como projeta o que é necessário para melhorar a instituição. Priorizar a avaliação formativa é, portanto, reafirmar o valor do processo e das relações pedagógicas, é privilegiar as teias intersubjetivas que dão consistência ao esforço coletivo embora não homogêneo de construção de uma universidade social e qualitativamente relevante.

(DIAS SOBRINHO 2011, pg 66-67 grifos meus)

6-      Qualidade e ênfase qualitativa

O objetivo central da avaliação institucional é a qualidade, não só como diagnóstico, mas como processo de melhoria. Esta questão se complica quando caímos em questões filosóficas e políticas. A ênfase qualitativa de criar possibilidades de entendimento nas questões propícias às divergências e construir acordo em torno dos programas e dos princípios fundamentais. Devemos prezar pela relação dialética entre quantitativo e qualitativo, sem com isso, causarmos oposições entre os termos.

7-      Flexibilidade

A metodologia deve comportar certos graus de flexibilidade e de adaptabilidade, sem que isso jamais signifique concessões ou abrandamentos de princípios e objetivos coletivamente acordados.

8-      Credibilidade

A avaliação não é um processo indiferente ou neutro. Ao contrário, toma partidos, reafirma os valores considerados positivos, critica o que acha negativo, interfere nas relações sociais de trabalho e intervém em todas as dimensões da vida acadêmica e institucional.

É de fundamental importância que a avaliação tenha plena credibilidade. É imprescindível que todos se sintam seguros quanto à direção traçada e confiem nos articuladores do processo. Falamos de legitimação ética e de competência técnica.

9-      Comparabilidade

Uma avaliação formativa, construtiva, positiva, pró-ativa e não-punitiva nunca poderá comparar instituições com outras no sentido de classificação e hierarquização.

Devemos compara sim outros fatores, num sentido de união de propósito, de linguagem, de instrumentos e procedimentos metodológicos que evite a dispersão e as rupturas do processo.

10-      Institucionalidade

Quando falamos de globalidade, referimos-nos à globalidade da instituição. A avaliação institucional perpassa todas as decisões e atividades da universidade.

Todas as relações educativas e administrativas de universidades estão concernidas pelo clima e pela prática institucional. É por meio desses canais e de acordo com esses princípios que se desenvolve o processo avaliativo, sobre toda a instituição, como o apoio oficial e pelos caminhos formalmente instituídos.                     

(DIAS SOBRINHO 2011, pg 70)

11-      Permanência

A avaliação institucional de forte orientação qualitativa, formativa e prospectiva, deve ter uma permanência assegurada na vida de uma universidade para além de projetos específicos de uma dada reitoria. Ela deve integrar de modo permanente a reflexão e as práticas políticas e administrativas que orientam e dão coerência ao sistema educativo da universidade, combinando a autoavalaliação ou avaliação interna com a avaliação externa, os fatores quantitativos e os qualitativos, os processos e os resultados.

OBS: a segunda parte deste artigo relata a implantação do sistema de avaliação na UNICAMP. Tratando-se de dados bem específicos, dentre eles nomes e números, preferimos não transcrevê-la neste fichamento.

TEXTO 2

UNIVERSIDADE: PROCESSOS DE SOCIALIZAÇÃO E PROCESSOS PEDAGÓGICOS.

Segundo Dias Sobrinho (2011), devemos especificar o termo universidade com o sentido de “universidades”. A terminologia no plural serve como indicador das diferenças cambiantes no ensino superior. Em outras palavras as universidades são instituições históricas e entendidas como produção social. O cotidiano das universidades é feito de processos de diferenciação e de convergências. Logo, a multiplicidade das ciências e a pluralidade das concepções e práticas políticas afastam a possibilidade de se pensar a universidade como instituição unidirecional ou uma totalidade sem contradições (pg 16).

O conhecimento é cada vez mais reconhecido como instrumento de cidadania em sua pluralidade e em sua diversidade. Assim, as universidades modernas tem clareza de que não devem ser instituições endogenamente autônomas e eticamente soberbas, distanciadas da práxis e das demandas objetivas da sociedade (pg 16).

Além de sua formação prática e mais visível de preparação profissional, elas [Universidades] estão, no mesmo processo, intencionalmente ou não, formando cidadãos mais ou menos críticos e conscientes do que ocorre no mundo e do papel das ciências nas sociedades contemporâneas. Como produção social, os conhecimentos têm valor político e ideológico, não só prático. Por isso, os processos de organização de conhecimentos e os processos de aprendizagem, não só os seus produtos, têm grande valor formativo, enquanto processos gerais de socialização. Vejo, aí, também, o reconhecimento objetivo da função pedagógica das Universidades.

(DIAS SOBRINHO 2011, pg 18 grifos meus )

As universidades são instituições muito complexas, produzidas por uma malha de relações sociais, administrativas, pedagógicas, entre outras. Cada instituição é um palco de múltiplas batalhas: tanto institucionais, quanto científicas. A tensão é a marca dominante destes campos.

As universidades já não respondem a todos os problemas que lhe são postos. Existe uma crise institucional quando tratamos do embate entre autonomia/produtividade social (imposto a várias outras instituições). Talvez o maior campo de batalha contemporânea seja a polarização “formação geral e humanista versus formação profissional”.  Esta polarização é recente, porém, se torna crucial à medida que se aceleram e se multiplicam os problemas econômicos e sociais.

Dias Sobrinho (2011) ressalta que a ligação da universidade com a comunidade pode custar a perda das características universitárias, notadamente sua autonomia didático-científica. Já que, o termo “comunidade” em grande parte está limitado ao setor produtivo, ou seja, aos interesses econômicos das empresas.

Martins (1990), citado por Dias Sobrinhos (2011), aponta que nos últimos 30 anos o credencialismo têm dominado o ensino superior com as seguintes características: origem nos processos de reprodução das desigualdades sociais e cumpre um papel ideológico de legitimação destes processos; os requerimentos de escolarização para os empregos constituem mais um mecanismo de seleção do que uma necessidade determinada; apresenta-se como mecanismo de ascensão social; e esta contínua realimentação resulta no que poderia denominar-se de espiral inflacionária credencialista.

Os diplomas cumprem mais uma trajetória burocrática em atenção a demandas e pressões de organismos externos que aos propósitos legítimos da aprendizagem (pg 23).

Outro tema abordado por Dias Sobrinho (2011) trata da passagem de uma “educação terminal para uma educação permanente”. Logo, uma educação que cubra a vida inteira de um homem, que tenha caráter integrador do conhecimento e incorpore a teoria e  prática no processo de vida.

A pedagogia da integração contribui para a superação da dicotomia “formação geral versus formação específica”. O pedagógico é o exercício da relação, não dá polarização. Cada vez mais se entende que o conhecimento deva ser amplo, daí a necessidade de uma educação Interdisciplinar.

No mundo moderno, os conhecimentos, as informações e técnicas se multiplicam e se deterioram com uma velocidade crescente. Nenhum sistema universitário pode acompanhar essa fragmentação fantástica e oferecer uma qualificação num determinado setor da vida econômica e social suficiente para compreender e atender aos problemas e demandas mais urgentes.

(…)

O trabalho pedagógico mais significativo e reclamado é o de articulação, de interpretação e de síntese. Ao longo de um processo que supere as descontinuidades das ações, isso deveria ser assegurado pela integração entre ensino e pesquisa e, no mesmo movimento, pelo fortalecimento das relações entre professores e estudantes.

(DIAS SOBRINHO 2011, pg 28 grifos meus)

As demandas do mercado são, frequentemente, de caráter imediatista bem definido. Já a educação se inscreve no tempo “histórico total”. Realiza-se num dado momento, que é a objetivação do passado e também condição das aprendizagens e práticas sociais futuras. Desse modo, nem as universidades soberanas para definir rigidamente os tempos, os métodos e os conteúdos das aprendizagens, nem são as determinações externas que podem domesticar as praticas acadêmicas e adequá-las à sua lógica. Se fossem submetidas à camisa-de-força de uma racionalidade externa, as Universidades não poderiam produzir a crítica social nem criar conhecimentos novos, como resultado da investigação que não se prendem a interesses imediatos e determinados (pg 29).

Para uma melhor compreensão do que está sendo discutido, Dias Sobrinho (2011) destaca quatro temas que servirão de considerações finais: autonomia, institucionalização, avaliação e questão pedagógica.

1-      A autonomia

A autonomia universitária é condição fundamental para que a universidade trabalhe com qualidade e se justifique como instituição social relevante. Assim, podem-se estabelecer prioridades (todas as possíveis). Esta autonomia é um exercício de permanente vigilância crítica e de responsabilidade e seriedade em função do cumprimento dos fins da universidade. Sem autonomia para criticar e para produzir conhecimentos e práticas, a universidade só pode oferecer respostas fragmentadas e imediatistas (pg 31).

2-      A institucionalização

Trata da organização das relações sociais e de trabalho e o exercício da democracia e toda a estrutura formal da Universidade. A produção da universidade se faz pelas vias e pelas práticas democráticas. Respeitando a diversidade, a ação institucional elabora uma organização razoavelmente unitária, pela qual a universidade administra o seu cotidiano e cumpre as suas finalidades essenciais.

3-      A questão pedagógica

É a dimensão mais universal e permanente da universidade, por meio da qual esta instituição se distingue das outras. O sentido pedagógico invade as diversas atividades universitárias e confere substancia à dimensão fundamental da Universidade: a formação. Para além de uma ampla cultura e refinada sensibilidade pedagógicas, aí também se exigem conhecimentos sólidos sobre as questões educacionais. Cabe aos profissionais que fazem da educação o seu campo e o seu objeto de trabalho, de estudos e de intervenção na realidade social, um papel de altíssima relevância na reelaboração de currículos. Não apenas os profissionais formados em pedagogia, mas todos os membros da comunidade universitária devem ser concernidos pela dimensão pedagógica das atividades e das relações que se desenvolvem numa instituição educativa (pg 33).

4-      A avaliação

É uma categoria imprescindível dessa produção contínua da universidade. A instituição precisa saber quais os valores dominantes nas suas atividades de ensino pesquisa e extensão e nas suas práticas educativas. Este é um exercício com forte sentido pedagógico. Deve ser uma atividade sistemática e permanente que resulte em uma compreensão global e integrada da universidade.

Através da avaliação institucional, contínua, global e formativa, a universidade adensa as suas relações sociais e pedagógicas.

A universidade não estabelece como critério final o produto comercial, nem seu horizonte é o consumidor, como fazem as empresas. Os processos da Universidade são inseparavelmente de produção da ciência e construção da cidadania. Esses são os processos fundamentais que devem ser avaliados, seguindo os critérios próprios da Universidade. Ciência rigorosamente produzida e socialmente relevante, cidadão crítico e competente dos pontos de vista técnico e político, equipado para intervir na construção da história.

(DIAS SOBRINHO 2011, pg34-35)

REFERÊNCIAS:

DIAS SOBRINHO, José Dias e BALZAM, Newton César (org) – Avaliação Institucional: teoria e experiências. São Paulo; 5ª ed ;CORTEZ 2011.

 

MARTINS, Geraldo. Credencialismo e avaliação da universidade. São Paulo, NUPES (1990)

Disponível em –  http://nupps.usp.br/downloads/docs/dt9006.pdf

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