Os quatro grande estágios do desenvolvimento da inteligência de Jean Piaget

 

Piaget (1896-1980) formulou uma teoria que descrevia como crianças e adolescentes pensam e adquirem conhecimento, ou seja, a gênese (nascimento) e a evolução do conhecimento humano.

Percebendo que Lógica de funcionamento mental da criança difere (qualitativamente) do funcionamento do adulto, Piaget investigou como a lógica infantil amadurece se transformando em lógica do adulto.

O desenvolvimento cognitivo da criança matura através de constantes desequilíbrios e equilibrações. Dois mecanismos aparecem para alcançar um novo estado de equilíbrio: a assimilação, no qual o ser desenvolve ações destinadas a atribuir significações, a partir de um fato anterior e aos elementos do ambiente com os quais dialoga; e a acomodação surge quando o organismo tenta restabelecer um equilíbrio superior com o meio ambiente, agora, o ser é impelido a se modificar, e se metamorfosear para se ajustas ao meio.

Piaget propôs método da observação para a educação da criança. Daí a necessidade de uma pedagogia experimental que colocasse claramente como a criança organiza o real. Criticou a escola tradicional que ensinava a copiar e não a pensar. Para obter bons resultados, o professor deveria respeitar as leis e as etapas do desenvolvimento da criança. O objetivo da educação não deveria ser repetir ou conservar verdades acabadas, mas aprender por si próprio a conquista do verdadeiro. 

(GADOTI 2004, pg 146)

Como dito anteriormente, no ato de amadurecimento da gênese do conhecimento a criança passa por estágios de desenvolvimento psicológico. Apesar das características peculiares, apresentam uma ligação de desenvolvimento do saber.

Assim, pode-se distinguir quatro estágios de desenvolvimento lógico:

  • o estágio sensório-motor: de 0 a aproximadamente 18 ou 24 meses

  • o estágio pré-operatório: aproximadamente de 2 a 6/7 anos

  • o estágio operatório-concreto: de cerca de 7 até aproximadamente 11/12 anos

  • o estágio formal: a parti de 11/12 anos.

Sensório Motor (0-2 anos)

Tratando-se da fase inicial do desenvolvimento da vida, este nível é caracterizado como pré-verbal constituída pela organização reflexiva e pela a inteligência prática. Neste estágio a criança baseia-se em esquemas motores para resolver seus problemas, que são essencialmente práticos. Além disso, o indivíduo vive o momento presente sendo incapaz de referir-se ao futuro, ou evocar o passado.

Durante esta fase os bebês começam a desenvolver símbolos mentais e utilizar palavras, um processo conhecido como simbolização. O bebê relaciona tudo ao seu próprio corpo como se fosse o centro do mundo

Pré-operatório (2-7 anos)

Este período é o que mais teve atenção de Piaget. É caracterizado pela explosão linguística e a utilização de símbolos. Dada a esta capacidade da linguagem, os esquemas de ação são interiorizados (esquemas representativos ou simbólicos) Nota-se ainda a ausência de esquemas conceituais, assim como o predomínio da tendência lúdica. Prevalece nesta fase a transdução, modelo primitivo de raciocínio, que se orienta de particular para particular.

A partir dos quatro anos o tipo dominante de raciocínio é o denominado intuição, fundamentado na percepção e que desconhece a reversibilidade e a conservação.

A criança ainda é incapaz de lidar como dilemas morais, embora possua senso do que é bom ou mal. O indivíduo apresenta um comportamento egocêntrico, tendo um papel limitado e a impossibilidade assumir o papel de outras pessoas, é rígido (não flexível) que tem como ponto de referência a própria criança. Ainda é latente a incapacidade de analisar vários aspectos de uma dada situação.

O egocentrismo traz algumas manifestações características. Aparece neste período o pensamento animista – tendência de atribuir características psicológicas, como sentimentos ou intenções a eventos e objetos físicos; o antropomorfismo– que é a atribuição de uma forma humana a objetos ou animais (nuvens como grandes rostos, por exemplo; o artificialismo– que atribui uma origem artesanal humana a todas as coisas (a montanha foi esculpida por um homem muito grande); o finalismo é a tendência egocêntrica na qual a criança acho que todos os objetos tem a finalidade de servi-la.

Uma consequência deste egocentrismo é a incapacidade da criança de colocar seu próprio ponto de vista como igual aos demais. Desconhecendo a opinião alheia, o indivíduo não sente necessidade de justificar seus raciocínios perante outros.

Aparece a incapacidade de descentração- a criança fixa apenas em um aspectos particular da realidade, geralmente o dela.

Operatório concreto (7-11 anos)

Recebe este nome, já que a criança age sobre o mundo concreto, real e visível. Surge o declínio do egocentrismo, sendo substituído pelo pensamento operatório (envolvendovasta gama de informações externas à criança). O indivíduo pode, desde já, ver as coisas a partir da perspectiva dos outros.

Surge os processos de pensamento lógico, limitados, sendo capazes de serializar, ordenar e agrupar coisas em classes, com base em características comuns. Assim como a capacidade de conservação e reversibilidade através da observação real (o pensamento da criança ainda é de natureza concreta).

O pensamento operatório é denominado concreto, pois a criança somente pensa corretamente se os exemplos ou materiais que ela utiliza para apoiar o pensamento existem mesmo e podem ser observados. Ela ainda não consegue pensar abstratamente, tendo como base proposições e enunciados. Com o desenvolvimento destas habilidades notamos aparecimento de esquemas conceituais.

As crianças começam a desenvolver um senso moral, juntamente com um código de valores.

Operatório formal (12 anos em diante)

Característica essencial a distinção entre o real e o possível.

A criança se torna capaz de raciocinar logicamento, mesmo se o conteúdo do seu raciocínio é falso. Logo, surge a determinação da realidade tendo como base o caráter hipotético-dedutivo, representando a última aquisição mental quando o adolescente se liberta do concreto. Assim o jovem obtém a capacidade de pensar abstratamente e compreender o conceito de probabilidade.

Aparecimento da reversibilidade e sua explicação mediante inversão ou negação e comparada à reciprocidade de relações.

Documentário Piaget explica Piaget parte 1 de 3

REFERÊNCIAS:

PIAGET, Jean. Epistemologia Genética: tradução Álvaro Cabral, 4ª edição – São Paulo. Editora WMF Martins Fontes, 2012.

GOULART, Iris Barbosa. Piaget Experiências básicas para a utilização pelo professor- Petrópolis. Editora Vozes 1983.

GADOTI, Moacir. História das Idéias Pedagógicas- Editora Ática, 8ª edição 2004 .

Anúncios