RESUMO- PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA: UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA (Ilmar Passos Veiga)

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Veiga (1998) demonstrar neste estudo o entendimento do projeto político-pedagógico como a própria organização do trabalho pedagógico da escola como um todo.

Usualmente, o projeto político-pedagógico é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. Nota-se aí um grande erro, já que este plano deve ser construído e vivenciado em todos os momentos, por todos os envolvidos com o processo educativo da escola.

Todo projeto político-pedagógico é um projeto “político”, já que todo planejamento deve estar intimamente ligado aos compromissos sócio-políticos e com os interesses reais e coletivos da população majoritária. Deve também estar obrigatoriamente ligado com a formação de um indivíduo crítico voltado para uma sociedade cada vez mais articulada.

Somado a tudo isto, devemos salientar o plano como um “processo permanente de reflexão e discussão dos problemas da escola, na busca de alternativas viáveis à efetivação de sua intencionalidade, que não é descritiva ou constatativa, mas constituitiva” (pg 13). Sua principal garantia de efetivação passa pela autonomia da escola, e a sua capacidade de identificar os vícios e virtudes da mesma. É a unidade escolar que detém o conhecimento relativo à vivência de seus membros. Não competindo aos órgãos tecnocratas a imposição de termos e essências não comuns às instituições.

O ponto que nos interessa reforçar é que a escola não tem mais possibilidade de ser dirigida de cima para baixo e na ótica do poder centralizador que dita as normas e exerce o controle técnico burocrático. A luta da escola é para a descentralização em busca de sua autonomia e qualidade.

(Veiga, Ilmar Passos Alencastro; 1998 pg 15)

Cinco princípios norteiam a o projeto político-pedagógico: Igualdade, Qualidade, Gestão Democrática, Liberdade e Valorização. A seguir os analisaremos.

Devemos ter em mente que há uma desigualdade no ponto de partida dos nossos educandos, porém, a IGUALDADE do ponto de chegada deve ser garantida pela mediação escolar. Deste modo, temos o princípio da Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.

O projeto político-pedagógico tem o desafio de propiciar uma QUALIDADE educacional para todos. Atualmente, apenas uma parcela privilegiada da população (aquela que tem direito aos bens tanto matérias quanto simbólicos) detém esta forma de educação. Salientamos que a melhoria do ensino deve ser qualitativa e não quantitativa, como tanto divulga os órgãos governamentais.

A GESTÃO DEMOCRÁTICA implica no repensar da estrutura de poder na escola, tendo em vista a sua socialização. Tenta-se com isso anular vários fatores negativos que impedem a escola de ser um organismo mais social e acolhedor.

A socialização do poder propicia a prática da participação coletiva, que atenua o individualismo; da reciprocidade, que elimina a exploração; da solidariedade, que supera a opressão; da autonomia, que anula a dependência de órgãos intermediários que elaboram políticas educacionais da quais a escola é mera executora.

                (Veiga, Ilmar Passos Alencastro; 1998 pg 18)

A VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO é um princípio central na discussão do projeto político-pedagógico. Além de melhores salários, os profissionais devem lutar para uma melhor qualidade do local de trabalho, assim como pelo direito da formação continuada de seus estudos.

 As relações de poder na escola, mais as características descritas anteriormente, forma o lado simbólico da instituição escolar. É a junção destes somatórios que podemos tirar as questões epistemológicas do projeto.

Após esta breve descrição de ideias, finalizamos com as conclusões que:

– a organização escolar deve ser pesada de “dentro para fora”. Para que isto ocorra, a escola dever utilizar seu corpo coletivo para a construção de seu projeto coletivo, rompendo assim, com o existente para avançar.

– é preciso entender o projeto político-pedagógico como uma reflexão do cotidiano escolar. Para tanto, ela precisa de um tempo razoável de reflexão/ação, com o intuito de se ter um mínimo necessário à consolidação de sua proposta.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

VEIGA, Ilmar Passos Alencastro. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção coletiva, in  Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. Ed Cortez, 1998.

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