Peixe Vivo

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Olá amigos professores.

Nesta atividade proponho o aprendizado da canção popular PEIXE VIVO. Para o apoio pedagógico, incluo a partitura icônica desta música para o auxílio na alfabetização, assim como desenvolvo a iniciação de figuras encontradas na pauta, neste caso, o RITORNELLO.

Espero ajudar, até a próxima !!!

2015-05-29 15.17.08-6Proposta: Aprendizado de uma canção popular brasileira e iniciação à leitura de partitura, usando para isto uma pauta icônica com a introdução de figuras presentes na representação musical: Ritornello.

Duração: Uma ou duas aulas (45 minutos cada).

Faixa etária: 1º e 2º anos do ensino fundamental

 

Objetivos

Objetivos gerais: Desenvolver a sensibilidade estética, a percepção musical por meio das práticas tradicionais lúdicas orais e coletivas da infância.

Desenvolver a apreciação estética/ leitura interpretativa de diferentes sons produções musicais, produzindo respostas emocionais à música.

Peixe vivo Partitura IcônicaObjetivos específicos: Perceber gestos expressivos em sequências musicais: repetições contrastes, variações. Identificar aspectos da organização musical: sequências, repetições, ostinatos, agrupamentos rítmicos, quadraturas etc.

Procedimentos de ensino e atividades a serem trabalhadas: Execução de uma canção popular concomitante à partitura icônica desta música.

Recursos: Reprodutor de áudio ou instrumento harmônico, Projetor ou quadro, folha com a partitura icônica.

AULA

1- A aplicabilidade desta aula varia de acordo com os materiais disponíveis. Na maioria das vezes, começava a contar uma história de uma peixinho na lagoa. Desta maneira perguntava para as crianças: quem já foi para uma lagoa? A água é quente ou fria?
Assim, já surgiam as primeiras frases da canção: como pode peixe vivo viver fora da água fria?

O professor pode usar esta dica para ir passando tanto a letra quanto a melodia da canção. Não foi necessária escrever a letra. Geralmente, os educandos conseguem. Uma outra atividade é o rodízio de cantores: o docente pode dividir meninos e meninas, um grupo canta a primeira parte e o outro repete. Veja no vídeo:

 

2- A segunda parte da atividade trata da compreensão da partitura icônica: o docente pode pedir para que as crianças tentem decodificar as letras e figuras. Em algumas situações, é melhor começar por esta etapa. Por último, perguntava que sinal estranho era aquelas duas bolinhas? (ritornello).

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2º Ano

OBS: A partitura icônica está disponível na seção Anexos deste post. Disponibilizo dois arquivos: o pdf e um executável (.odg- Libre Office Draw) para possível edição.

PartituraAnexos

Partitura Icônica (.pdf)

Arquivo editável da Partitura Icônica (.odg -libreoffice Draw)

Partitura (.pdf)

Arquivo editável da partitura (.mscz – musescore)

Avaliação da Aula

Esta atividade foi aplicada em 8 turmas do 1º e 2º anos do ensino fundamental. O número de estudantes variam de 20 à 30 por sala. Esta canção foi bem recepcionada pelos educandos: por se tratar de crianças no início da carreira escolas (6 e 7 anos), toda atividade é considerada como brincadeira e praticamente não há imposições do lado estudantil.

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1º Ano

Um fato que me entristece é que a maioria dos estudantes nunca haviam escutado esta música. Como mostrado em aulas anteriores, a maioria deles apenas conhece a industria musical veiculada pelos grandes meios televisivos, e esta canção está longe das características consumistas e comerciais da atualidade.

Uma aula é muito pouco para a passagem e internalização da melodia. Trabalhei a canção nos tempos restantes de outras aulas e antes de introduzir a partitura icônica. Infelizmente, o único contato que as crianças têm com está música acontece durante os 45 minutos da aula. Outro contato ou execução da mesma só será feito na semana seguinte (isso se o educando não faltar ou não for feriado), esta distância compromete e muito a aprendizagem, assim como a afinação.

1º Ano

1º Ano

A afinação foi um quesito que deixou a desejar. Em turmas com este quantitativo de alunos, não é raro encontrar crianças que não falam ou cantam, mas sim gritam (talvez um reflexo de como são tratadas. Afinal de contas, não é difícil encontrar mães que não conversam, mas sim gritam com seus filhos). O problema causado por isso é que por mais que tentemos conversar e pedir para alguns educandos, eles acabam gritando ou invés de cantar. Há de se notar que nos vídeos selecionados, aparecem apenas algumas crianças. Estas imagens foram feitas em dias nos quais não houve presença maciça de alunos, mesmo assim, encontramos crianças cantando de forma errada.

A partitura icônica foi compreendida sem grandes dúvidas. O que dificultou a dinâmica de aprendizagem foi a falta dos cadernos para a aula de música. A Prefeitura do Rio de Janeiro doa (mesmo que atrasado) o material básico de ensino para os alunos composto de cadernos e lápis de cor. No início do período letivo, pedi encarecidamente aos professores regentes de turma (a escola não tem sala de música) que disponibilizassem um espaço para que os educandos pudessem guardar estes cadernos. Quase metade dos mestres negou meu pedido. Como na época tinha 26 turmas, não haveria como administrar quem levaria este material para casa e quem deixaria em sala, assim, resolvi liberar este caderno para que todos os estudantes o levassem para suas residências.

2º Ano

2º Ano

Sinceramente, isto causou um grande problema no desenvolvimento das aulas de música na instituição: devido à idade e também falta de comprometimento dos pais, muitos educandos esqueciam o caderno (alguns nunca levaram). Logo, muitos não recebiam a folha e faziam o trabalho como amigo mais próximo (como visto nas imagens). Em uma das turmas, num universo de 30 estudantes, apenas três trouxeram o caderno.

2015-05-22 13.38.55-2O pouco tempo também atrapalhou a pintura e interpretação da partitura icônica em turmas próximas aos horários de entrada, saída e recreio. Em muitos casos, não conseguimos terminar esta atividade em 45 minutos. Deve-se a isto o tempo que era gasto com a chegada/saída de educandos da sala, assim como o ato de retirar, colar e guardar os cadernos. Como são crianças muito pequenas, não há como liberar a colagem da folha por estes educandos, logo cabia a mim executar esta tarefa para 30 crianças. Caso houvesse um maior entendimento com os regentes de turma, poderíamos resolver facilmente este problema.

2015-05-22 13.38.17-5Talvez, alguns leitores esteja perguntando: para que pintar folhas se as crianças já aprenderam a canção? Vários motivos me levaram à utilizar este material: os alunos tem pouco contato com a música, logo ter ela escrita poderia auxiliá-los em casa se ocorresse alguma dúvida; um professor de matrícula 40 horas, como eu, é obrigado a dar 28 aulas semanais (chegava a dar 10 por dia, e há relatos de docente que encaram 15 aulas), o que torna quase insalubre trabalhar somente a prática nestas aulas. Assim podemos notar que a realidade do educador musical carioca e brasileiro é bem diferente da teoria do métodos ativos europeus…

2015-05-22 14.41.38-2Nem todas as salas tinham projetores (um até parou de funcionar no momento em que dava esta lição), logo tive que colocar em prática meus dotes nada artísticos e desenhar a partitura icônica. Já que o tempo era escasso, resolvi desenhar apenas as partes nas quais os educandos apresentavam dificuldades. Devo lembrar que a Prefeitura do Rio de Janeiro apenas disponibiliza uma caneta “pilot” na cor preta 2015-05-22 10.40.51-4para que o professor escreva durante o ano todo (a carga mal dura uma semana !!!). Sendo assim, fui obrigado a comprar um jogo de canetas coloridas e tinta, o que saiu por mais de cem reais (do meu bolso é claro !!!). Para economizar tempo, somente as frases que apresentavam mais dificuldades era desenhadas no quadro.

A símbolo RITORNELLO foi entendido sem maiores dificuldades, como as crianças já tinham internalizado a canção, era só perguntar para onde iriam voltar.

Creio que a musicalidade seja uma construção e apesar da total falta de estrutura, continuo tentando. E viva à esperança !!!

Referências

Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Orientações Curriculares Música. Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/web/sme/exibeconteudo?article-id=798881 Último acesso: 13/02/2015

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O PEDAGOGO DE FACEBOOK

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Segundo o site de humor SENSACIONALISTA, 98% dos usuários do facebook são especialistas em tudo. Dentre a gama de especialidades, sinto certo incômodo com os que classifico como PEDAGOGOS DO FACE. Este tipo de intelectual nunca pisou em um escola pública da rede básica municipal ou estadual. Geralmente, vêm da classe média e estudou nas escolas elitistas da rede privada ou federal. Adora ler tudo de educação, tem a bibliografia completa de Paulo Freire, assiste todos os dias o Canal Futura e adora participar de encontros com filósofos que nunca lecionaram fora das “universidades de ponta” onde trabalham.

Para estes pedagogos virtuais, os professores atuantes em sala de aula (principalmente nas escolas públicas) são profissionais mal formados e desatualizados que precisam de reciclagens teóricas. Afinal de contas, já estamos no pós-modernismo e é inadmissível que ainda não saibamos o que é isso. Quem sabe, o pós-modernismo pode nos ajudar a lecionar em salas com 60 alunos, com ventiladores quebrados, sem folhas ou materiais básicos. Características estas, mais do que medievais. Será que existe formação para profissionais em situação tão precária?

Segundo o intelectual pós-modernista-facebookiniano, os professores poderiam largar as salas de aula (consideradas prisões institucionais) e lecionar em ambientes alternativos: um professor de biologia pode dar aula no jardim da escola, por exemplo, ou quem sabe ir à um parque. Infelizmente, nosso “Deus” da verdade pedagógica não sabe que a maioria das escolas públicas não tem verba nem para manter um prédio, o que dirá um jardim. Muitas delas, tiveram todas as árvores derrubadas ou o jardim gradeado, já que representava perigo e custos “altíssimos” de manutenção. Árvores frutíferas são consideradas problemas em potencial: afinal de contas, um moleque pode se machucar tentando pegar um fruta, assim, melhor não tê-las. Uma outra alternativa seria o professor de educação musical trabalhar com instrumentos alternativos ou reciclados. Pena que nosso pensador nunca estudou percussão, ele não tem noção do que são 30, 40 ou 50 desses instrumentos; assim como gerenciar estes objetos em prédios sem isolamento acústicos e sem local para armazenar tudo isso. Afinal de contas, são raras as escolas que disponibilizam salas temáticas: muitos docentes chegam a trocar de sala por mais de 10 vezes ao dia. Qual profissional têm pique para várias aulas dessas durante a semana?

Já que não há jardim na escola, podemos levar a escola para o jardim. Seria ótimo se a secretaria disponibilizasse o ônibus. Seria, mas muitos professores desistiram de brigar por eles, já que têm tanto trabalho com solicitações vazias. Agora, se o prefeito aparece no evento, as verbas para o transporte surgem com uma imensa facilidade.

A inter/mega/hiper/transdisciplinaridade é a solução para as matérias arcaicas dos professores mal formados. Entretanto, como um profissional que chega a dar mais de trinta aulas por semana, trabalha em 3 escolas (assim como nos 3 turnos para ter uma condição financeira melhor) e que mal lembra do nome dos alunos (já que são mais de mil), pode encontrar tempo e condições para reunir-se com outros professores e pensar nas estratégias em conjunto? A coordenação pedagogica poderia intermediar, é claro!!! Contudo, em muitos estados e municípios este cargo praticamente não existe, a coordenadoria acaba se tornando um espaço para “encostar” o professor reabilitado, aquele mestre que perdeu a voz de tanto gritar, que desenvolveu algum problema mental, que se acidentou tentando “fugir”/separar  brigas entre alunos ou tudo isso junto.

Ele adora ler as séries, pedagogia segundo: Deleuze, Derrida, Hegel, Foucault, Marx, Hanna Arendt, Rousseau, Gramsci, entre outros. O que o pedagogo de facebook não consegue entender, porque não vive na realidade educacional, é que a teoria pode abrandar, mas nunca irá solucionar problemas de ordem estrutural: condições de trabalho dignas, salários decentes, redução das dezenas de alunos por turmas, entre outros. O professor pode até aplicar a pedagogia segundo Jesus Cristo, mas caso o mesmo Jesus não faça um milagre na estrutura escolar, pouca coisa irá mudar.

A palavra mais proclamada por este pensador é VIOLÊNCIA. A escola é violenta, as aulas são violências simbólicas, o currículo é um imposição. Nosso filósofo adora citar Foucault, só esquece de lembrar que este tema é uma via de mão dupla: o escola e o educador também são violentados (por vários motivos). Inspetores escolares? Nunca! Mesmo que só exista um para dar conta de uma prédio com 3 andares e mil crianças. Isso é VIGIAR E PUNIR, algo abominável, é uma imposição ditatorial: o docente deve trabalhar a autogestão. Muitos acreditam que crianças que são mal tratadas diariamente, pelos pais e sociedade, irão (de uma hora para outras) se organizar e manter a ordem e a paz: mesmo que sejam 60 delas dentro de uma sala de aula caindo aos pedaços e com poucas ferramentas pedagógicas disponíveis.

Sala de aula? Isso é desculpa, pois: segundo pesquisas “internacionais” a infraestrutura conta pouco quando tratamos de eficiência escolar. Mais uma vez, nosso pensador esquece que a maioria destes experimentos acontecem nos EUA ou na Inglaterra onde a variabilidade de recursos é bem menor do que no Brasil. Aqui, ainda encontramos muitas escolas com paredes sem reboco, com goteiras e onde o banheiro é o matagal mais próximo. Crer que estas condições sub-humanas não interferem nos estudos é de uma pureza mais do que intelectual.

Para o nosso especialista, todos estes problemas podem ser solucionados com um pedido formal à secretaria de educação. Ele só não sabe que “em muitos casos”, o profissional que chefia este setor está lá por indicação política, assim como nem é professor ou pedagogo (muito menos de facebook): geralmente um economista, administrador ou braço direito do gestor de plantão. Ministério público? Prefiro nem comentar…

Mesmo repetindo isso inúmeras vezes, não adianta conversar com este nosso amigo. Ele sempre classifica isso como REACIONARISMO, até mesmo com professores filiados à partidos de esquerda. Estas críticas à teoria educacional só “atrapalham o desenvolvimento” da pedagogia. Existem respostas piores: professores não são reaças, na verdade, agem com “vitimismo”.

O que mais me intriga é que este profissional mais do que preparado, poderia estar dentro de uma sala de aula (principalmente das escolas públicas), mostrando a nós, simples e mortais professores, como ensinar de uma forma correta e mais atual, como não sermos reacionários ou deixar de agir como “vítimas”. Entretanto, o pedagogo de facebook apenas filosofa. Prefere investigar a pedagogia sem ser interferido por questões emocionais. Quem sabe ele possa terminar o doutorado e ingressar numa faculdade, e assim, dar aulas sem nunca ter pisado numa sala de aula da rede pública de ensino básico. Atitude interessante?

Falar é muito fácil, é muito fácil sugerir atos heroicos e maravilhosos. O mais difícil é realizá-los. Esses mesmos espectadores se darão conta de que as coisas são uma pouco mais difíceis do que pensam se tiverem que fazer eles mesmos os atos que preconizam.”

(AUGUSTO BOAL)

 

OBS: todas as histórias aqui contadas são reais. Foram presenciadas por mim desde post selvagens de redes sociais até (pasmem) encontros com professores universitários.

Entrevista ao portal Educamusical.org

Olá amigos.

Abaixo segue a entrevista concedida ao projeto Semanário no site Educamusical. Uma ótima entrevista comandada pelo professor Marcelo Borba (UFPel).

Levantamos questões referentes à educação musical dentro da escola pública e a relação entre teoria e prática na formação do educador que está no ensino básico público. Espero que este relato ajude a outros docentes. Perguntas são sempre bem-vindas !!!

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Semanário – Mateus Nikel

É bastante positivo a variedade de blogs, sites e portais que tem surgido na área da música e da educação musical nos últimos anos. Da mesma forma que as comunidades e os grupos de discussão em mídias sociais, os blogs representam um espaço articulado para diálogos e são importantes por valorizarem o caráter autoral em suas publicações.

Em vários momentos tive o prazer de contar com a colaboração dos colegas (blogueiros ou não) da educação musical nas postagens do “semanário” aqui no site. A cada semana tentamos viabilizar novos relatos, recomendar materiais didáticos disponíveis pela rede e divulgar trabalhos que acreditamos poder contribuir para a prática educativa dos professores de música.

Ao privilegiar a interação e a narrativa dos educadores convidados, conseguimos conhecer um pouco mais sobre os diferentes contextos e as micro-realidades da educação musical na atualidade. E sabemos como tem sido importante tais narrativas.

Seguimos com o convidado dessa semana:
Algum tempo atrás, em pesquisas pela web, encontrei o “Blog do Nikel”. O autor do blog é o educador Mateus Nikel, o qual disponibiliza na sua página diversas sugestões de atividades para educação musical e também textos autorais sobre temas variados. Os escritos de Mateus são relevantes, em minha opinião, principalmente porque partem de suas experiências cotidianas como professor de música em escolas públicas do Rio de Janeiro. As atividades disponibilizadas no Blog do Nikel trazem ainda recursos de áudios e imagens que ajudam muito no entendimento e na reutilização das propostas publicadas.

Não tive dúvidas em lançar o convite para que Mateus pudesse colaborar com o projeto “semanário”. Felizmente ele aceitou participar e publico então a apresentação enviada pelo educador.

Olá, sou Mateus Nikel, tenho 28 anos e trabalho como professor de educação musical na prefeitura do Rio de Janeiro, mais especificamente na Escola Municipal Monteiro Lobato (Guaratiba/Zona Oeste carioca). Sou licenciado em educação musical pela Escola de Música da UFRJ e, desde o ano de 2013, leciono em escolas públicas de ensino básico.

Já ministrei aulas para turmas do primeiro e segundo segmentos do ensino fundamental, assim como turmas de realfabeização (Projetos Acelera e Realfa) e EJA (PEJA). Atualmente, atuo do primeiro ao sexto ano do ensino fundamental.” (Mateus Nikel)

“Para se ter ideia desta problemática, até fazer uma simples roda é uma ação quase utópica (e praticamente todo método de musicalização sugere uma). As salas de aula são planejadas para a disposição tradicional das mesas e cadeiras, dificultando assim outra forma de organização. É óbvio que o professor pode empilhar as carteiras. Porém ele só tem um tempo de aula para empilhar as mesas e cadeiras, fazer as atividades na roda, arrumar a sala com antes e fazer a chamada. Soma-se a isso os baixos salário que obrigam o profissional da educação a dar 10 ou mais aulas por dia. Qual docente tem pique para arrumar 10 salas num dia?”

 

Marcelo Borba: Olá Mateus, como surgiu a ideia de fazer publicações relacionadas a educação musical via blog? Qual seus objetivos com essa iniciativa?

Mateus Nikel: Na verdade não foi uma ideia, mas sim uma necessidade. Para explicar isso melhor tenho que contar sobre a minhas história com a educação…

Quando entrei na rede pública, pude comprovar na prática as críticas que fazia à minha formação: muito pouco do que aprendi no curso de licenciatura em música pode ser aplicado na realidade do ensino público brasileiro. Em outras palavras, muita teoria e pouca vivência prática.

Falava-se e ainda fala-se muito em paisagem sonora, percussão corporal, parlendas e outras poucas atividades. Entretanto, não se situava estas atividades no contexto público escolar, na quantidade de aulas e no planejamento curricular da disciplina. Quando criávamos algo, seguíamos parâmetros das escolas federais (CAPs, IFs e Colégio Pedro II) que estão bem distantes do ensino de forma geral. Eu mesmo, fui obrigado a estagiar no CAP/UFRJ: uma instituição com ótimo padrão de ensino, mas que atende praticamente à classe média carioca, ficando assim bem distante da realidade da docência pública de uma forma geral.

E foi assim que me formei e encarei uma realidade nada animadora. Minha primeira escola foi dentro da favela de Antares (uma das mais pobres e violentas do Rio de Janeiro). Crianças agressivas, desamparadas e convivendo com o tráfico de drogas (o baile funk era em frente a escola e convivíamos com o tráfico diariamente). Não havia instrumentos disponíveis, só contava com uma caneta “pilot” e o quadro. Já tinha o blog nesta época que servia como banco de artigos e outras publicações. Devido à violência da região (que era refletida no comportamento discente), acabei me decepcionando com o magistério e comecei a estudar para concursos em outras ocupações. Foi aí que comecei a utilizar o blog de forma mais autoral: escrevia resumos e fichamentos sobre as bibliografias estudadas e divulgava para quem estivesse precisando.

A situação na favela ia de mal a pior: várias vezes tive que me abaixar dos tiroteios e passar pela boca de fumo no caminho para o trabalho. Não aguentei a situação e com menos de um ano de magistério tirei uma licença médica, estava desistindo de ser professor (desistência motivada pela violência do entorno e o descontentamento com as poucas ferramentas pedagógicas que eu tinha para as aula de educação musical).

 

“a maioria das propostas pedagógicas que tenho contato, trata de pequenos grupos com no máximo 15 crianças. Geralmente, estas atividades são inspiradas em metodologia ativas europeias. Em qual escola do ensino regular o professor tem esse número de alunos?”

 

Após o ocorrido fui transferido para outras escolas e em uma, bem mais tranquila, percebi que poderia desenvolver um ótimo trabalho. Entretanto, nunca estudei uma metodologia que se adaptasse ao ensino público brasileiro: falta de material pedagógico-musical, turmas com até 40 alunos,desmotivação geral e salas que não se adaptavam à experiência corporal.

Pedi ajuda a outros educadores nas mídias sociais. Talvez um livro ou alguns planos de aula pudessem me indicar um norte a seguir. Porém, as repostas eram: “monta um coral”, “faz O PASSO”, “usa Orff” ou “monta uma rádio”. Devo confessar que não entendia: como usar estas ferramentas sem a menor infraestrutura? Como ensinar O PASSO para dezenas de crianças e em salas lotadas de carteiras? Como montar um coral com estudantes que se negavam a cantar? Ninguém soube pormenorizar isso, pelo contrário, alguns alegaram que eu estava “menosprezando os alunos”.

Desta problemática resolvi criar algumas aulas simples, levando em consideração a realidade que eu e meus amigos passavam e que pudessem ser aplicadas em escolas públicas.

Divulgo estas atividades musicais em meu blog para ajudar pessoas que estão na mesma situação que a minha, além de trocar ideias com outros professores. Foram as necessidades que me levaram a fazer resumos e depois criar aulas. Junto desta necessidade, pensei em socializar aquilo que pode ajudar meus companheiros de profissão.

Marcelo Borba: A partir da sua experiência com o ensino de música (e as realidades dos espaços em que você trabalha), quais principais desafios a serem enfrentados?

Mateus Nikel: Feliz ou infelizmente, o que não faltam são desafios! Posso elencar os mais recorrentes: salas que comportam até 40 alunos, falta de instrumentos até para o professor, curta duração da aula e falta de local ideal para a disciplina.

Como relatado anteriormente, a maioria das propostas pedagógicas que tenho contato, trata de pequenos grupos com no máximo 15 crianças. Geralmente, estas atividades são inspiradas em metodologia ativas europeias. Em qual escola do ensino regular o professor tem esse número de alunos? Encontramos crianças desmotivadas, dependentes de ajudas sociais e com pouco apoio familiar. Já estamos no segundo bimestre e até agora estou correndo atrás de “cadernos” para alguns educandos. Se um caderno que custa 2 reais já dá este trabalho, imagine uma escaleta ou flauta?

 

“Falava-se e ainda fala-se muito em paisagem sonora, percussão corporal, parlendas e outras poucas atividades. Entretanto, não se situava estas atividades no contexto público escolar, na quantidade de aulas e no planejamento curricular da disciplina.”

 

Muitas escolas não tem um instrumento harmônico, daí o docente é obrigado a levar um . E se não houver como? Você faz um pedido “insistente” à direção ou “se vira” (na verdade, nós sempre nos viramos). Não havia instrumentos na primeira escola em que trabalhei e não dava para levar o meu. Eu não tinha carro e pegava ônibus e trem lotados. Atualmente estou trabalhando com copos. Comprei 50 e ainda estou testando esta abordagem de ensino. Como relatado acima, não encontrei métodos aplicados no ensino regular e nem fui formado para usar esta ferramenta.

A carga horária do primeiro segmento do ensino fundamental é de apenas um tempo por semana. Pouco tempo para fixar conteúdos e até para aplicar uma atividade. Muitas vezes, o professor demora várias aulas para finalizar uma ideia simples que é absorvida rapidamente em um grupo pequeno de estudantes. Passo sempre por esta dificuldade. Uma sala de música seria ótimo, entretanto, são raras as escolas que disponibilizam este espaço. Para se ter ideia desta problemática, até fazer uma simples roda é uma ação quase utópica (e praticamente todo método de musicalização sugere uma). As salas de aula são planejadas para a disposição tradicional das mesas e cadeiras, dificultando assim outra forma de organização. É óbvio que o professor pode empilhar as carteiras. Porém ele só tem um tempo de aula para empilhar as mesas e cadeiras, fazer as atividades na roda, arrumar a sala com antes e fazer a chamada. Soma-se a isso os baixos salário que obrigam o profissional da educação a dar 10 ou mais aulas por dia. Qual docente tem pique para arrumar 10 salas num dia?

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Marcelo Borba: E esse momento contemporâneo que vivemos, com pessoas hiper-conectadas pelas mídias sociais, na sua opinião, são mudanças significativas para a educação musical na escola? Como você entende isso?

Mateus Nikel: Esta pergunta é bastante ampla: tanto pode abarcar a tecnologia dentro da sala de aula e as ferramentas digitais usadas pelos alunos, as trocas de conhecimento nas comunidades virtuais ou até mesmo de outros assuntos que não me vêm à cabeça neste momento.

Inicialmente, creio que comunidades virtuais sirvam, entre outras coisas, para uma maior divulgação das ideias de outros educadores musicais. Nos conhecemos virtualmente certo? Caso não houvesse esta ferramenta, eu teria que editar um livro ou escrever um artigo. Opções difíceis de serem concretizadas.

Já quando tratamos das tecnologias em sala de aula, devemos ter muito cuidado. Todos nós sabemos que a infraestrutura das escolas e das famílias variam muito. Durante muito tempo ensinei as crianças como montar slides e fazer um apresentação em Power Point (ou no Impress, já que sou um defensor do Linux). Entretanto, não consigo fazer isso na escola em que trabalho atualmente. Mesmo com o barateamento do acesso à informática, muitas crianças ainda não têm computador. A acesso à internet ainda é feito por lan-houses.

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Vídeo da aula: Ditado rítmico de mínimas semínimas usando a canção MEU ERRO (Paralamas do Sucesso)

Olá amigos

Este vídeo apresenta pequenas cenas da aula Ditado rítmico de mínimas semínimas usando a canção MEU ERRO (Paralamas do Sucesso).

Caso queiram saber um pouco mais sobre a aula, é só clicar no hiperlink.

 

 

Aula- O Som dos Instrumentos

Olá amigos professores.

Nesta atividade, proponho uma brincadeira com a turma. Um jogo, no qual os educandos trabalham a percepção sonora e o timbre dos instrumentos.

A aula é simples, o professor apenas precisa de um reprodutor de áudio e um mapa dos instrumentos que pode ser baixado nos anexos da aula.

Além das aulas de educação musical, esta atividade pode ser aplicada por um professor de artes ou um docente que está na regência de uma turma do primeiro segmento do ensino fundamental.

Com este jogo o docente pode introduzir a noção de instrumento harmônico, melódico e percussivo. Enfim, há uma gama enorme de assuntos para abordar.

Espero ajudar, até a próxima !!!

Folha o Som dos Instrumentos (A4)

Proposta: Realizar uma brincadeira de percepção sonora e timbrística dos instrumentos.

Duração: Uma ou duas aulas (45 minutos cada).

Faixa etária: Apartir do 3º ano do ensino fundamental

Objetivos

Objetivos gerais: Desenvolver a sensibilidade estética, a percepção musical por meio das práticas tradicionais lúdicas orais e coletivas da infância.

Compreender a produção de instrumentos e de ferramentas musicais.

Objetivos específicos: Qualidades dos materiais sonoros: timbre.

Identificar o tipo de produção de som nos instrumentos.

Procedimentos de ensino e atividades a serem trabalhadas: Realizar jogos, brincadeiras musicais e canções, integrando movimentos e sons com a percepção dos timbres dos instrumentos.

Conhecer instrumentos harmônicos melódicos e de percussão.

Recursos: Reprodutor de áudio, mapa dos instrumentos.

3º Ano

3º Ano

AULA

1- O professor cola no quadro o mapa dos instrumentos.

OBS: Este mapa encontra-se na seção Anexos. Nela, este item está ampliado para 4 folhas A4, o docente pode imprimi-las em unir com uma fita adesiva.

2- Explicação do Jogo. Cada criança vai até o quadro e o docente executa um dos exemplos durante 30 segundos. Cabe ao aluno indicar no mapa qual é o instrumento gerador daquela som.

O professor pode fazer uma disputa de meninas contra meninos, de grupos ou duplas. Pode dar um ponto para quem acertar o instrumento, e dois pontos a mais para quem souber o nome e escrevê-lo no quadro.

OBS²: Os exemplos em áudio estão disponíveis para download na seção Anexos. O arquivo está zipado (.zip). Há exemplos para todos os instrumentos.

Anexos

Mapa dos Instrumentos (.pdf, dividido em quatro folhas A4)

Mapa dos Instrumentos (.pdf, A4 folha única)

Mapa dos Instrumentos (.odp, LibreOffice. Arquivo editável)

Exemplos em áudio (.mp3 e .wmv)

Avaliação da Aula

Esta proposta foi aplicada em 25 turmas que iam do primeiro ao sexto ano do ensino fundamental e continham de 20 à 47 educandos. Como em outras aulas, quanto mais se avança em idade, mais resistência encontramos na participação discente. Contudo, não tive muitos dificuldades em encorajar a turma nesta atividade.

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Para colar o mapa de instrumentos no quadro, pedi aos educandos adesivos que muitos trazem na primeira página do caderno. Este item mostrou-se ótimo, já que diferente da fita durex, não deixava marcas no quadro. Algumas salas de aula dispunham de aparelho DATASHOW, optei por não utilizar este equipamento devido a dificuldade que teria de projetar o mapa de instrumento e trocar a janela de meu player de áudio.

5º Ano

5º Ano

Muitos educandos revelaram não conhecer o som e o nome de instrumentos tidos como populares no meio midiático: Saxofone (era chamado de TROMBETA por muitas pessoas, mas tinha o som reconhecido), Baixo (que era confundido visual e sonoramente com uma guitarra), cavaco (os educandos identificavam o som, porém muitos apontavam um bandolim), Agogô (a maioria não soube o nome) e Surdo (chamado de tambor). Poucos souberam o nome de instrumentos como: trombone, trompete e tuba.

Na maioria dos casos, os estudante somente identificavam os instrumentos mais populares e divulgados nos meios de comunicação: guitarra, pandeiro (muitos conheciam, mas não sabiam o nome), piano, violão, berimbau, bateria, flauta (transversa) e violino. Um fato curioso é que a maioria dos educandos reconheceu visualmente a Harpa, contudo não souberam identificar (na maioria dos casos) o som deste instrumento, apontando para o metalofone ou piano.

Passamos por algumas dificuldades no quesito respeito aos colegas de turmas. Alguns educandos “sopravam” a resposta, já outros foram xingados por seus parceiros de classe quando cometiam algum erro (prova disso pode se ver vista no vídeo desta aula). Para contornar este problema apliquei algumas penalizações que iam deste a perda de um ponto até a exclusão do jogo.

Equipamento utilizado nas aulas

Equipamento utilizado nas aulas

Devido à problemática da falta de uma sala de aula específica para a educação musical, optei por dividir a turma em dois grupos: meninas e meninos. Gastaria muito tempo arrumando as cadeiras e depois colocando todas no lugar, soma-se a isso o tempo que já perdia montando todo o aparato de som que levo na mochila. As turmas de 1º ao 5º ano tem apenas um tempo de aula por semana e o tempo de preparação da sala levaria grande parte da aula. Além do mais, dou de 8 à 10 aulas por dia nesta escola e reconheço que é quase impossível um professor ter pique para tantas arrumações.

Esta proposta não obteve sucesso em turmas de 1º e 2º anos (devido a isso modificamos a recomendação de faixa etária de TODAS para A PARTIR DO 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL). Por ainda serem muitos pequenos, muitos educandos só iam ao quadro pelo fato de participar da brincadeira. Apontavam para o quadro sem ter a menor noção de qual instrumento estavam tocando. Assim, criei outra proposta de melhor entendimento para os menores: o som das coisas.

Nas turmas de 6º ano, pude prolongar esta atividade. Já que dispunha de 2 tempos de aula, começamos votando quais seriam as regras do jogo – e no final da disputa – criamos uma tabela com a família dos instrumentos: percussão, cordas, sopro e teclas.

3º Ano

3º Ano

Apesar de tratar basicamente de uma proposta com conteúdos factuais (ZABALA 2010), esta atividade serve para demonstrar como a educação musical ainda é elitizada em nosso país, assim como apresenta um quadro crítico dos educandos das escolas públicas: jovens que são carentes de informação e conhecimento de outras formas de expressão diferentes da que são mostradas na grande mídia. Já era de se esperar que grande parte destes educandos não conhecessem instrumentos como um bandolim ou um xequerê, porém muitos não sabiam diferenciar um baixo de uma guitarra.

Referências

NIKEL, Mateus. A função social do ensino e a concepção sobre os processos de aprendizagem: instrumentos de análise – Antoni Zabala (fichamento). Disponível em: https://blogdonikel.wordpress.com/2014/05/23/a-funcao-social-do-ensino-e-a-concepcao-sobre-os-processos-de-aprendizagem-instrumentos-de-analise-antoni-zabala-https://blogdonikel.wordpress.com/2014/05/23/a-funcao-social-do-ensino-e-a-concepcao-sobre-os-processos-de-aprendizagem-instrumentos-de-analise-antoni-zabala-fichamento/fichamento/ (último acesso 26/8/2015)

Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Orientações Curriculares Música. Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/web/sme/exibeconteudo?article-id=798881 Último acesso: 13/02/2015

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Tradução Ernani F. da F. Rosa – Porto Alegre: Artmed, 2010.

5º Ano

5º Ano

 

Aula PopRock Nacional na década de 80

Paralamas do sucesso no primeiro Rock in Rio.

Olá professores, trabalharei com meus alunos o rock e pop na década de 1980. Minha primeira ideia era de exibir um documentário sobre o período, entretanto, sabemos da dificuldade de exibição em várias escolas.

A prefeitura do Rio de Janeiro conta com aparelhos reprodutores nas salas. Mas, a maioria das escolas de educação básica no Brasil não tem este privilégio, e até mesmo no município carioca, problemas ocorrem.

Sendo assim, pesquisei (e muito) na internet por programas de rádio que demonstrassem um pouco deste período, já que este tipo de material para a educação básica ainda é raro no Brasil.

Para auxiliar nesta aula, estou disponibilizando o programa PALCO MPB com o grupo PARALAMAS DO SUCESSO. Banda que já havia trabalhado anteriormente.

Outro problema foi encontrar um texto que pudesse ser de fácil entendimento aos estudantes da rede, já que muitos deles ainda tem dificuldades de leitura e interpretação de texto. Como foi muito difícil encontrar um, acabei escrevendo um por contra própria.

 

Proposta: Pesquisar sobre o rock e pop durante a década de 1980, estilos e comportamento desta geração.

Duração: Quatro  aulas (45 min cada).

Faixa etária: 6º ao 9º anos

 

Objetivos

Objetivos gerais: Compreender a música como ação de produtores, da relação de artesão à relação de trabalho no mundo contemporâneo.

Valorizar as diversas culturas musicais com destaque às brasileiras em sua diversidade.

Articulação entre percepção e sensibilidade dos materiais sonoros.

Objetivos específicos: Música como produto do mundo.

Interfaces na produção estética contemporânea.

Música em interface com as demais modalidades artísticas.

Procedimentos de ensino e atividades a serem trabalhadas: Leitura e escuta de programas que abordam o movimento pop rock na década de 1980.

Recursos: Reprodutor de áudio.

AULA

OBS: na primeira aula (dois tempos), recomendamos que o professor utilize o texto e as perguntas. Num segundo encontro, o docente pode apresentar o programa de rádio que será detalhado neste plano.

1- Escrita, leitura e passagem do texto sobre a história do movimento. Pede-se que enquanto o professor escreve no quadro, esteja tocando, ao fundo, uma seleção de músicas deste período, assim como seja passado entre os alunos fotografias deste período.

OBS: uma playlist de músicas e uma seleção de fotos estarão disponível nos anexos deste post.

O Rock Nacional da Década de 80

Nenhum período do rock nacional se compara com os anos 80. O Brasil ainda vivia sobre a ditadura militar, mesmo assim muitas coisas esquisitas aconteciam no país, principalmente quando tratamos da juventude. Danceterias, cabelos estravagantes, discos de Lps, tudo isso contribui para a criação do rock desta geração. Nesse período, começaram a fazer sucesso novos estilos musicais vindos de fora como o “punk rock” e o “new wave”.

O rock brasileiro deste período é também considerado por muitos como pop rock nacional dos anos 80. Foi um movimento musical que surgiu já no início daquela década. Ganhou o apelido de BRock do jornalista Nelson Motta.

Várias bandas surgiram durante esta época, entre elas: Capital Inicial, Ultraje a rigor, Legião Urbana, Biquíni Cavadão e Paralamas do Sucesso. Uma das características dessas bandas era uma temática fortemente urbana e tratando de temas sociais, como a pobreza, a fome e os políticos o Brasil.

Naquele momento da história do Brasil, os militares governavam o país. Éramos proibidos de votar e dizer algo contra o governo. A música de protesto dessas bandas tinha como meta a crítica contra este governo.

Diferente de hoje, uma banda conseguia vender mais de dois milhões de discos, como foi o caso da Banda RPM. Surgia também o Rock in Rio no ano de 1985, uma festival de rock que reunia várias atrações internacionais no Rio de Janeiro. Este espetáculo surgiu para impulsionar o rock nacional.

Outra coisa legal no Rock brasileiro da década de 1980 era que existiam bandas dos quatro cantos do Brasil: Legião Urbana de Brasília, Barão Vermelho do Rio de Janeiro, Camisa de Vênus da Bahia, Engenheiros do Havaí do Rio Grande do Sul, etc.

 

2- Perguntas e discussões sobre o texto.

O que era o punk rock e o new wave?

O que era a ditadura militar?

Desde quando existe o Rock in Rio? Você conhece esse espetáculo? Quais artistas você assistiu no último Rock in Rio?

Faça um quadro ligando as bandas com as cidades natal destes grupos.

3- Após esta breve introdução o docente pode exibir o programa PALCO MPB com PARALAMAS DO SUCESSO . O programa foi dividido em 6 partes, pede-se para o professor fazer intervenções como perguntas em cada parte.

– Quais os nomes dos integrantes dos Paralamas do Sucesso?

– O grupo destaca duas bandas, quais são? Porque a segunda banda recebeu este nome?

– Quais canções são executadas? Como os Paralamas do Sucesso aparecem na segunda canção?

– Quais instrumentos estão na canção por um segundo de Cazuza?

– Qual o estilo desta canção? Trata-se de um Rock?

– Quais instrumentos estão na segunda canção?

– O refrão da música trata do que?

– Qual o estilo da segunda canção?

– Há quantos anos existe o Paralamas do Sucesso?

– Qual o artista que canta a primeira música? Ele pertence à geração PopRock da década de 80?

– Sobre o que fala a segunda canção? Qual banda está tocando?

– Quais as diferenças entre as manifestações da dácada de 1980 (Diretas Já) e as manifestações de 2013?

– Do que fala a música: ATÉ QUANDO ESPERAR do Plebe Rude?

– Qual tema está relatado na música ALAGADOS do grupo Paralamas do Sucesso?

 

– De que fala o livro de João Barone?

Anexos

Lista de músicas para serem executadas durante a aula

Programa Palco Mpb dividido em 6 partes

Programa Palco Mpb (parte única)

Pdf com as fotos de bandas deste período

Referências

Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Orientações Curriculares Música. Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/web/sme/exibeconteudo?article-id=798881 Último acesso: 13/02/2015

Referências do Texto (último acesso 26/03/2015)

http://arlindopmprofessor.blogspot.com.br/2011/09/historia-na-musica-dos-anos-80-e-90.html

http://super.abril.com.br/cultura/rock-anos-incriveis-445248.shtml

http://www.pokerbrasileiro.com/2010/04/ditadura-brasileira-o-1-de-abril-de-1964.html