Voir un ami Pleurer (Jacques Brel)

Com certeza que há as guerras da Irlanda e os lugarejos sem música… 
Com certeza que em tudo isto há falta de afecto…
e até, não há mais América… 
Com certeza que o dinheiro não tem cheiro, mas nenhum cheiro vos chega ao nariz… 
Com certeza que caminhamos sobre as flores…
Mas, mas ver um amigo chorar…
Com certeza que temos as nossas derrotas, e depois a morte que aparece lá bem no fim. O corpo inclina já a cabeça, espantado por ainda estar de pé…
Com certeza que há as mulheres infiéis e os pássaros assassinados…
Com certeza que os nossos corações perdem as asas…
Mas, mas ver um amigo chorar…
É certo que há cidades consumidas por essas crianças de cinquenta anos e a nossa impotência para as ajudar…
E os nossos amores que sofrem dos dentes…
É certo que o tempo voa demasiado depressa e esses comboios vão cheios de afogados…
E a verdade que nos evita…
Mas, mas ver um amigo chorar…
É certo que os nossos espelhos são imparciais…
Nem a coragem de se ser judeu, nem a elegância de se ser negro…
Acreditamos que somos pavio e não passamos de sebo…
E todos esses homens que são nossos irmãos, já não nos deixam surpreendidos se por amor nos dilacerarem…
Mas, mas ver um amigo chorar.

 

EL SISTEMA, Eduardo Galeano

 

Los funcionarios no funcionan.
Los políticos hablan pero no dicen.
Los votantes votan pero no eligen.
Los medios de información desinforman.
Los centros de enseñanza enseñan a ignorar.
Los jueces condenan a las víctimas.
Los militares están en guerra contra sus compatriotas.
Los policías no combaten los crímenes, porque están ocupados en cometerlos.
Las bancarrotas se socializan, las ganancias se privatizan.
Es mas libre el dinero que la gente.
La gente esta al servicio de las cosas.
Tiempo de los camaleones: nadie ha enseñado tanto a la humanidad como estos humildes animalitos.
Se considera culto a quien bien oculta, se rinde culto a la cultura del disfraz.
Se habla el doble lenguaje de los artistas del disimulo. Doble lenguaje, doble contabilidad, doble moral: una moral para decir, otra moral para hacer.
La moral para hacer se llama realismo.
La ley de la realidad es la ley del poder. Para que la realidad no sea irreal, nos dicen los que mandan, la moral ha de ser inmoral.
Quien no se hace el vivo, va muerto. Estás obligado a ser jodedor o jodido, mentidor o mentido.
Tiempo del qué me importa, del qué le vas a hacer, del no te metas, del sálvese quien pueda.
Tiempo de los tramposos: la producción no rinde, el trabajo no vale.
En el Río de la Plata, llamamos bobo al corazón. Y no porque se enamora: lo llamamos bobo por lo mucho que trabaja.

Eduardo Galeano

English: Eduardo Galeano at Madrid Feria del L...

 Eduardo Galeano 

Os funcionários não funcionam.
Os políticos falam e nada dizem.
Os votantes votam mas não elegem.
Os meios de informação desinformam.
Os centros de ensino ensinam a ignorar.
Os juízes condenam as vítimas.
Os militares fazem guerra aos compatriotas.
Os polícias não combatem os crimes, ocupados a cometê-los.
As falências socializam-se, o lucro é privatizado.
É mais livre o dinheiro do que as pessoas.
As pessoas estão ao serviço das coisas.
Tempo de camaleões: ninguém ensinou tanto o homem como eles.
Diz-se culto quem bem oculta, presta-se culto à cultura do disfarce.
Fala-se a dupla linguagem da dissimulação. Dupla linguagem, dupla contabilidade, dupla moral: uma moral na palavra, outra na acção.
A moral da acção chama-se realismo.
A lei da realidade é a lei do poder.
Para a realidade não ser irreal, diz quem manda, a moral tem de ser imoral.
Quem não se faz vivo está morto.
Estás sujeito a quilhar ou ser quilhado,
a enganar ou ser enganado.
Tempo de a mim que me importa, de que é que se há-de fazer, de não te metas, de salve-se quem puder.
Tempo de embusteiros: a produção não rende, o trabalho não vale.
No Rio da Prata, chamamos tonto ao coração. E não é por se enamorar, mas por muito trabalhar.

 

De Ventura a Fidel , por Mateus Nikel

Curiosamente, só na metade é que a década de 8o resolveu mostrar que tinha algo de novo a oferecer: estávamos caindo na democracia. E nada dava mais trabalho do que ser plural e acei­tar o outro – não o igual ou semelhante, mas o oposto. A pri­meira lição do ano era, portanto, a de que democracia não é consenso, mas dissenso. Em termos de opinião, todos só são iguais perante a ditadura. Na democracia, tudo é diferença.
(…)
Em todo os campos, os novos ares se fizeram sentir. No telejornalismo, por exemplo, houve alguns momentos marcantes, em especial dois.O primeiro foi o debate na estatal TVE entre ninguém menos que o veteraníssimo dirigente comunista Luís Carlos Prestes e o economista ultra-liberal Roberto Campos, o comunismo e o capitalismo cara a cara. Outro marco foi a entrevista de Roberto D’Ávila com Fidel Castro. Pela primeira vez em vinte anos, o público brasileiro pôde ver e ouvir o que pensava um dos líderes políticos mais polêmicos do século.

VENTURA, Zuenir. Minhas Histórias dos Outros; Ed Planeta 2005 pg 140/141

A partir desta passagem resolvi mais uma vez tentar achar a bendita entrevista do Fidel ao Roberto D’ávila.

Desta vez tudo certo, a bendita da entrevista já estava no Youtube a mais de um ano !!!

Como já li muitas vezes, o fascínio de Fidel é totalmente parcial: ou o ama ou o odeia. É de fato que a Revolução Cubana foi um dos movimentos históricos mais inacreditáveis da história.

Neste exato momento me vem a memória os versos de Gullar.

“Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita
quanto a Revolução Cubana …”

Mais uma vez saio convicto que Castro é um dos estadistas mais inteligentes da História.

Nesta entrevista, Roberto D’avilla visita serra maestra e sai com o general pelas ruas de Havana. Só não sei que as criancinhas e passantes que perguntavam tudo à Fidel estavam ali montados. Apesar de se safar de algumas perguntas como: o problema do partido único e as eleições não diretas, Fidel dá um passeio nas respostas (parcialidade minha).

A dívida externa mais uma vez é citada. Mostra-se o absurdo que “países desenvolvidos”  nos obrigam a pagar !!!

É interessante como apenas sete fuzis e meia dúzia de homens conseguiram expulsar um ditador mais que apoiado pelos EUA em apenas 2 anos e meio. Como o próprio Castro relatou:

Se as ideias não são corretas fracassam. Nós só tinhamos ideias.

O que mais me chamou a atenção foi a defesa dos paredões de fuzilamentos, paredões estes que são alvos de ataque direto à revolução Cubana.

De acordo com Fidel Castro cerca de 20 mil camponeses cubanos foram assassinados por vingança pelas tropas de Batista. Se recentemente Sadam pagou por seus crimes sendo enforcado e em Nuremberg vários Nazistas tiveram os mesmo fim, porque tantas críticas aos paredones?

Peço que meus amigos me ajudem !!!

ULTRAMAN

No meu tempo de moleque
Os monstros queriam dominar a terra,
Invadir mentes e corpos,
Mas o Ultraman
Dava cabo de todos eles.
Hoje,
Os monstros,
Dominam o universo.
Matam de fome
De sede
E escravizam os mais fracos.
Os heróis,
São todos bunda-moles.

Sérgio Vaz

*do livro “Colecionador de pedras” Global Editora

aaaaaaaaaa