A Realidade do Educador Musical no Município do Rio de Janeiro e o Ensino da Prática de Conjunto Instrumental na Educação Básica apresentado na Revista Música na Educação Básica

Sem Título (Ivan Cabral)

Sem Título (Ivan Cabral)

Prática de conjunto instrumental na educação básica

Como descrito no título, este artigo apresenta uma proposta de prática de conjunto instrumental da educação básica. Esta atividade foi vivenciada pela autora quando orientadora de estágio supervisionado de um curso de licenciatura (editorial, pg 7).

O Trabalho inicia-se relatando os benefícios desta abordagem musical e como ela está inserida na base legal da educação brasileira. Trata-se, também, da falta de representatividade que esta intervenção educacional têm nos currículos dos cursos de licenciatura em música.

Ressalta-se os conflitos dos licenciandos que giram em torno da dificuldade de aplicação das teorias aprendidas no início do curso nas intervenções que costumam ocorrer nos dois semestres finais.

Seguindo o artigo, a pesquisadora toca em um ponto delicado: a construção de arranjos em parceria com os alunos e levando em consideração as ideias deles. Creio que seja uma questão difícil, ainda mais quando pegamos alunos desmotivados em salas superlotadas (em casos extremos), alunos este que em várias ocasiões não desejam participar de uma aula. Como trabalhar assim?

A autora acrescenta: faz-se necessário que o professor em formação desenvolva competências que incluam vários saberes musicais. Entre eles, destaco: saber ampliar as possibilidades criativas em sala de aula, convidar outros músicos e mestres da cultura popular para tocar em sala e a construção de instrumentos musicais.

(…) em uma instrumentação baseada na proposta Orff, os alunos podem contribuir com textos ou parlendas da cultura local, movimento corporal, modalidades ritmicas, etc (pg 63).

Num segundo momento, são apresentados exemplos de uma proposta desenvolvida no estágio curricular de uma licencianda em música da UFBA, supervisionada pela autora. O estágio foi realizado em uma escola particular de educação básica de Salvador e contou com uma turma de 35 educandos que cursavam a 5ª série.

Vamos retomar a análise de todo o texto.

Quando tratamos da distância entre teoria e prática relatada pela autora, em parte discordo do exemplo descrito . Creio que a maior dificuldade aconteça quando o profissional entra na rede pública e percebe que a realidade está bem distante da teoria aprendida. Eu mesmo fui obriga a manter meu estágio no CAP/UFRJ, uma escola tradicional e de excelência no ensino carioca. Entretanto, uma instituição que está bem distante da realidade da maioria das escolas públicas brasileiras. Não foi uma grande surpresa quando constatei o “abismo educacional” entre esta instituição e minha experiência no ensino público.

Sobre a construção de instrumentos e o convite à outros músicos, já tratei disso em outros comentários. Gostaria de enfatizar a instrumentação baseada em Orff. Sendo “baseada”, esta poderia sofrer várias adaptações. Porém, como criar instrumentos Orff no ensino público brasileiro?

Onde eles ficariam?

Afinal de contas, é ainda exceção um professor de artes que tem uma sala disponível para a disciplina. Outra questão: quais textos apresentados pelos alunos surgiriam ?

Por que não citar um estágio numa instituição pública? Esta realidade não seria mais benéfica para os licenciandos?

E por falar em instituições, a escola descrita tinha uma tradição na formação de bandinhas rítmicas desde a época da fundação do colégio. A apreciação musical foi uma das atividades desenvolvidas com os educandos. Faz-se importante observar que a escola tinha instrumentos como tambores e pratos com baquetas de metal . Não foram informados quais outros instrumentos estavam disponíveis. Entretanto, nem todos os educandos tocavam. Muitos executavam efeitos sonoros com a boca para simular búzios.

Retomando a minha “ladainha”, onde encontramos escola públicas com estas características?

Muitos amigos compram o instrumento que usam em sala, outros mal o utilizam devido as dificuldades encontradas no ambiente escolar. No geral, é uma ótima proposta e uma das duas na qual presumimos que foram aplicadas na realidade escolar. Este artigo mostra como trabalhar em salas com mais de 30 estudantes. Entretanto, como adaptá-la à maioria das escola públicas?

 

Referências

ABEM. Música na Educação Básica, nº 4. Disponível em:http://abemeducacaomusical.com.br/publicacoes.asp#t3 . Último acesso:22/07/2015

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