Zieglianas

A este país [Níger] de fomes recorrentes, onde a seca expõe periodicamente homens e animais à subalimentação e à má nutrição, o FMI impôs a liquidação dos estoques de reservas controladas pelo Estado – que se elevavam a 40.000 toneladas de cereais. O Estado conservava em seus depósitos montanhas de sacos de milho, cevada e trigo precisamente para socorrer, nas situações de emergência (secas, inundações ou ataques de gafanhotos), as populações ,mais vulneráveis. Mas o departamento africano do FMI, sediado em Washington, considera que tais reservas distorcem o livre funcionamento do mercado. Em resumo: que o comércio de cereais não pode ser objeto de intervenção estatal, uma vez que esta viola o sacrossanto dogma do livre-comércio.

(…)

O Níger é uma neocolônia francesa. O país é o segundo mais pobre do planeta, conforme o Indicador do Desenvolvimento Humano do PNUD. Imensas riquezas estão adormecidas em seu subsolo. Depois do Canadá, o Níger é o maior produtor de urânio do mundo. Mas, atenção: a Areva, sociedade controlada pelo Estado frânces, exerce o monopólio da exploração das minas de Arlit. Os tributos pagos pela Areva ao governo de Niamey são ridiculamente baixos.

(ZIEGLER 2013, pg 64)

ZIEGLER, Jean. Destruição em massa: geopolítica da fome; tradução José Paulo Neto . 1ª edição. São Paulo: Cortez 2013

 

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