O DESENVOLVIMENTO DO ENSINO A DISTÂNCIA

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Definição de Educação a Distância (EAD)

Gohn (2011) advoga que este processo educacional é caracterizado quando parte do ensino é dirigida distante no espaço e/ou no tempo do aprendiz, e acrescenta: utiliza-se técnicas especiais de criação do curso e de instrução, comunicação por meio de várias tecnologias e disposições organizacionais e administrativas especiais (pg 40).

Com o desenvolvimento desta forma de ensino e o atrelamento à era da informática, outros termos sugiram como sinônimos: aprendizagem on-line, e-learning, sala de aula virtual. Soma-se isso a aprendizagem híbrida (blended learning): combinação de contatos presenciais e aulas a distância. E a lista não para, temos as aprendizagens: autodirigida, centrada no aluno, independente e autônoma. Todas estas últimas, indicando que a responsabilidade do aprendizado diferenciado cabe ao educando.

Contudo, alguns dos itens descritos acima pertencem à várias formas de ensino. Nota-se, frequentemente, a utilização do termo e-learning como sinônimo de educação a distância. Este termo também se refere ao uso da internet para aplicação educacional. Em outas palavras: um educando pode aprender como autodidata por esta via, sem estar, obrigatoriamente matriculado em um curso a distância. Adicionamos à este exemplo o uso de CD-ROM, gravações audiovisuais, transmissões via satélite, entre outras.

Não apenas ferramentas eletrônicas (PC, rádio, TV) são consideradas meios para EAD. Conteúdos impressos e enviados por correio foram os precursores desta metodologia. Como veremos mais adiante, esta tecnologia foi a primeira e a maior responsável pela divulgação da metodologia não presencial.

 

 

História do EAD pelo mundo

Ead

É difícil precisar, exatamente, em que época o EAD surgiu. Gohn (2011) defende, durante o seu levantamento bibliográfico, que esta metodologia era praticada já no ano 50 da era cristã. Segundo o autor, o apóstolo Paulo de Tarso (São Paulo para os católicos) seria um dos precursores do ensino a distância, tendo como objetivo a divulgação do cristianismo. A justificativa é simples: nas primeiras comunidades cristãs, fiéis liam as cartas do missionário sobre a doutrina cristã , configurando assim algo parecido com os cursos em apostilas que surgiriam séculos depois (pg 45).

Durante o século XIV ocorre a primeira grande revolução tecnológica do EAD: o desenvolvimento da prensa pelo alemão Johannes Gutemberg. Após esta façanha, há uma mudança nas formas de difusão da informação que, na época, seguia a relação mestre/aprendiz. Os livros foram barateados devido ao processo mecânico, logo o estudo poderia ser feito em qualquer local, mesmo que distante do professor.

Devemos salientar que este barateamento não contemplou as camadas mais pobres da população. O livro saiu da confecção dos monges, mas continuou como instrumento ideológico e político das elites europeias.

Prensa de Gutemberg

Prensa de Gutemberg


Outra grande contribuição do modelo impresso foi a padronização dos métodos escritos. Quando estas obras eram manuscritas, não tardava (as vezes já na terceira cópia) para que aparecessem erros que logo eram reproduzidos e anexados à obra. A invenção de Gutemberg permitiu que um novo estilo cognitivo se instaurasse (LÉVY
2011, pg 99).

A Revolução Industrial é uma revolução dupla. Já que também marca a segunda revolução do EAD. Além do alargamento dos capitais, houve uma melhoria na velocidade do transporte via trilhos e logo da comunicação impressa. É neste período que surge o sentido moderno de educação distância. É em 1858 que se instaura a educação por correspondência na Universidade de Londres. Assim, vários educandos concluíram seus estudos sem jamais terem vivido na Inglaterra.

Ainda existe muita polêmica sobre a invenção do telefone. Entretanto é com Graham Bell que estes meio de comunicação se populariza. Logo o EAD contaria com esta nova tecnologia agilizando as trocas que antes aconteceriam somente via cartas. Embora fosse uma ótima ferramenta, o telefone não foi amplamente utilizado, já que as ligações eram muito caras, impossibilitando assim seu uso em massa.

Fechamos o século XIX com a criação do primeiro cursos a distância das Américas. Criado em 1882 em Chicago, EUA.

O século XX surge com dados extraordinários quando tratamos de EAD: em 1900, a University Correspondence College, em Londres detinham 80% de vagas destinadas aos professores da época não tinham tempo para o curso presencial e estudavam a distância.

O cinema foi utilizado com fins educacionais desde sua criação, em 1895. há vários registros de filmes mudos usados na educação, sendo o mais antigo do ano 1898, na qual era demonstrada uma cirurgia do doutor Doyen. Entretanto foi na mudança para o cinema falado que esta ferramenta foi usada sistematicamente nas escolas sendo substituída pela televisão na segunda metade do século XX.

Na Europa o EAD foi utilizado durantes as duas grande guerras para os militares continuassem estudando. O sucesso foi tanto que o external system da Universidade de Londres contemplava até prisioneiros.

Quando tratamos de áudio, o assunto é extenso e envolve muito atores. O primeiro programa educacional regular de rádio é transmitido em 1926 pelo BBC. Agora, os textos continham modulações e ênfases nas vozes. Mesmo que anteriormente, o gramofone fosse utilizado como ferramenta educacional, é com as fitas cassetes que o áudio se populariza na EAD. Com esta ferramenta, além de gravar programas, o estudante poderia repeti-lo quantas vezes desejasse. O monopólio destas fitas só mudaria na década de 1990 com a popularização do CD.

O curso por correspondência foi na criado na Índia no ano de 1962, na Universidade de Delhi. Isto iniciou um processo de EAD que culminaria na criação da Indira Gandhi National Open University, em 1985.

 Indira Gandhi National Open University

Indira Gandhi National Open University

A televisão educativa teve seu despertar em 1934 quando a State University of Iowa realizou transmissões sobre higiene oral e astronomia. Na Inglaterra, os programas educativos foram transmitidos pela BBC e outras TVs comerciais a partir de 1963.

Após o lançamento do satélite Early Bird, em 1960, o vídeo começou a utilizado para comunicações síncronas, com interações via satélite. Assim, a University of Alasca começou a fazer experiências com esta nova tecnologia. A videoconferência resultou em grandes avanços na educação corporativa. Muitas empresas montaram universidades próprias e a Dell University, foi a primeira instituição totalmente virtual no mundo.

O ano de de 1969 é um marco para EAD, pois foi fundada em Londres, a Open University (OU), universidade inteiramente dedicada ao ensino a distância. Esta instituição, logo tornou-se um modelo desta metodologia. A OU não exigia instrução prévia de seus educandos e os cursos poderiam ser começados em qualquer época, com o objetivo de proporcionar o ensino para o maior número de estudantes.

O uso de redes de computadores voltadas para o ensino surge em 1989, quando Michael Moore, na Pensylvania State University, utiliza o “modo audiográfico” (imagens gráficas e áudio eram transmitidos por duas linhas telefônicas independentes) em suas primeiras experiências.

A primeira universidade totalmente virtual surge no Reino Unido. A United Kingdom e-University (UkeU) nasce em 2000, com grandes investimentos do governo britânico. Entretanto, o sonho do ensino virtual acabou rápido. A instituição foi fechada dois anos depois devido ao baixo números de matrículas.

 

EAD no Brasil e a criação da Universidade Aberta do Brasil (UAB)

O EAD surgem em solo brasileiro no início do século XX, com cursos de ensino por correspondência. Destacamos o projeto “Universidade do Ar” desenvolvido pelo SENAC e alcançando cerca de 80.000 alunos. O Brasil liderava, no início da década de 70, o ensino a distância, junto de Reino Unido, Espanha, Índia e Canadá. Entretanto houve um enrijecimento da legislação sobre o tema, contendo assim o desenvolvimento desta metodologia.

Propaganda do Instituo Universal Brasileiro e seus cursos que eram oferecidos por correio durante as dácadas de 1980 e 1990.

Propaganda do Instituo Universal Brasileiro e seus cursos que eram oferecidos por correio durante as dácadas de 1980 e 1990.

Aos poucos o Brasil foi retomando algumas características do ensino não-presencial. Em 2011, a portaria nº 2,253 do Ministério da Educação permitiu que qualquer curso já autorizado pudesse empregar métodos não presenciais de ensino, desde que não se ultrapasse o limite de 20% do tempo total do programa.

Em 2006, foi instituída a Universidade Aberta do Brasil (UAB), com o objetivo de expandir a oferta de cursos superiores no Brasil e suprir a demanda por estas especializações.

EAD: Prós e contras

Barreto (2003) tece alguma críticas às modalidades de ensino a distância incorporadas nas tecnologias de informação e comunicação (TIC). Para a autora, as questões relacionadas ao ensino estão na pauta de instituições públicas (MEC,LDB), e também internacionais (UNESCO, FMI). Entretanto, estes interesses se baseiam em questões mais econômicas do que sociais.

Data de 1995 textos-chaves do Banco Mundial que estabelecem como saída para a educação (e exigências para a obtenção de crédito para os países do terceiro mundo), a utilização de “tecnologias mais eficientes”, em comparação ao que a instituição chama de “monopólio do professor”.

A concepção modernidade/tradicionalismo pode estar escondendo um jogo de poder. Onde a “distância” pode ser eufemismo “para ausência”. Presentes, sem dúvida, nas tecnologias de informação tanto divulgadas atualmente.

Outra questão fundamental é: para quem vai o EAD? Para quem mora longe dos grandes centros e/ou para quem não teve a educação no tempo “certo”? Para reforçar o apartheid educacional? E a quem se destina o ensino presencial e de qualidade? As TIC podem ser usadas para aumentar o dualismo da escola encontrada em nossa sociedade.

Já Gohn (2011), tratando do ensino de música à distancia, alerta para os riscos de formar especialistas em apertar teclas de computador , mas sem nenhuma compreensão musical e sem capacidades criativas ou interpretativas.

Um outro problema detectado pelo autor é barreira da língua inglesa usada como base na maioria dos cursos ministrados a distância e nos recursos de consulta on line. Quando tratamos dos fóruns utilizados no ensino, algumas dificuldades também surgem: é possível burlar a lógica de leitura e fichamento de textos usados, assim como dedicar menos tempo de estudo do que o necessário. Porém, os mesmo ocorre em aulas presenciais.

Esta metodologia é aberta e fechada: enquanto se abre para um maior contigente educacional, grande parte dos currículos são fechados criando desafios para o gerenciamento de custos no momento de renovar materiais de estudo.

O lado bom da tecnologia é que as ferramentas conhecidas como “softwares sociais”, se adotadas com finalidades educacionais, podem ter um grande impactos de inovação, resultando no desenvolvimento de competências essenciais para a vida na sociedade do conhecimento.

O EAD populariza o ensino, já que descentraliza as instituições de grandes centros urbanos.

REFERÊNCIAS

BARRETO, Gisele Goulart. Tecnologias educacionais e educação a distância: avaliando políticas e práticas. 2ª edição. Rio de Janeiro: Editora Quartet, 2003. 192 pgs (Coleção Educação e Sociedade; 9)

GOHN, Daniel Marcondes. Educação Musical a distância: abordagens e experiências. São Paulo: Cortez, 2011

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: O futuro da inteligência na era da informática – Tradução de Carlos Irineu da Costa. 2ª edição. Rio de Janeiro: Editora 34, 2011. 208 páginas. (Coleção TRANS)

NIKEL, Mateus. Blog do Nikel: AS POLÍTICAS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES: NOVAS TECNOLOGIAS E EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA, segundo Raquel Goulart Barreto. Disponível em: https://blogdonikel.wordpress.com/2014/12/29/as-politicas-de-formacao-de-professores-novas-tecnologias-e-educacao-a-distancia-segundo-raquel-goulart-barreto-2/ Acessado em: 23/01/2015

WIKIPEDIA. Alexander Graham Bell. Disponível em: pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_Graham_Bell  Acessado em: 23/01/2015

 

Imagens

1- http://www.tudoemfoco.com.br/vantagens-e-desvantagens-do-ensino-a-distancia.html Acessado em: 23/01/2015.

Prensa de Gutemberg- http://www.debatesculturais.com.br/o-nascimento-da-imprensa/ Acessado em: 23/01/2015.

Propaganda do Instituo Universal Brasileiro-http://carissimascatrevagens.blogspot.com.br/2010/08/o-instituto-universal-brasileiro.html Acessado em: 23/01/2015.

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