AS CONCEPÇÕES DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR – José Carlos Libâneo (FICHAMENTO)

A ideia norteadora deste post trata das concepções de organização e gestão escolar descritas por Libâneo (2013) e encontradas no capítulo 6 (o sistema de organização e gestão da escola) do Livro Organização e Gestão da Escola, de autoria de autoria do próprio Libâneo.

AS CONCEPÇÕES DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR – José Carlos Libâneo

AS CONCEPÇÕES DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR

Data da década de 30 os primeiros estudos da escola como organização de trabalho. Há toda uma pesquisa sobre administração escolar que remonta aos pioneiros da educação nova. Basicamente, estes estudos foram marcados por uma concepção burocrática, funcionalista, aproximando as características da organização escolar à organização empresarial (pg 101). Durante a década de 80 os estudos referentes a essa área se constituíram em uma disciplina, comumente denominada Organização do Trabalho Escolar. Nestas circunstâncias, adotou-se uma abordagem crítica sobre o tema, frequentemente restringindo a análise da escola dentro da organização do trabalho no capitalismo.

Essencialmente, existem duas concepções diferenciadas em relação às finalidades sociais e políticas da educação: a concepção científico-racional e a concepção sócio-crítica

Na concepção cientifico-racional prevalece uma visão mais burocrática e tecnicista de escola. A instituição escolar é tomada como uma realidade objetiva e neutra, devendo funcionar racionalmente e, por isso, deve ser planejada, organizada e controlada, de modo a alcançar melhores índices de eficácia. Este é o modelo mais encontrado na realidade brasileira (caso o leitor queira se aprofundar na corrente tecnicista ou entender melhor outras vias de pensamento, recomendo o post tendências pedagógicas na prática escolar do mesmo autor).

Na concepção sócio-critica, a organização escolar é concebida como um sistema que agrega pessoas, destacando-se o caráter intencional de suas ações, a importância das interações sociais no seio do grupo e as relações da escola com o contexto sociocultural e político.

Para além desta dualidade epistemológica, alguns estudos abordam uma divisão mais abrangente do fenômeno organização e gestão escolar. Esquematicamente, podemos considerar quatro concepções: a técnico-científica (tradicional), a autogestionária, a interpretativa e a democrático-participativa.

A concepção TÉCNICO-CIENTÍFICA hierarquiza cargos e funções, visa a racionalidade do trabalho. A versão mais conservadora desta concepção é denominada de administração clássica ou burocrática. A versão mais recente é conhecida como modelo de gestão da qualidade total, com utilização mais acentuada de métodos e práticas de gestão da administração empresarial (pg 103).

Algumas características deste modelo são: a prescrição detalhada de funções e tarefas, acentuando-se a divisão técnica do trabalho escolar; o poder centralizado no diretor; formas de comunicação verticalizadas; maior ênfase nas tarefas do que nas interações pessoais.

A concepção AUTOGESTIONÁRIA baseia-se na responsabilidade coletiva, ausência da direção centralizada e acentuação da participação direta e por igual de todos os membros da instituição. Tende a recusar o exercício da autoridade e formas mais estruturadas de organização e gestão.

Entre outras características, podemos acrescentar: promoção do poder coletivo na escola para preparar formas de autogestão no plano político; decisões coletivas por meio de assembleias e reuniões; alternância no exercício de funções e a ênfase nas relações pessoais, mais do que nas tarefas.

A tendência INTERPRETATIVA trabalha com base nas experiências subjetivas e as interações sociais das pessoas. A escola é uma realidade social subjetivamente e socialmente construída, não uma estrutura dada e objetiva. Esta concepção privilegia menos o ato de organizar e mais a “ação organizadora” como valores e práticas compartilhadas.

A concepção DEMOCRÁTICA-PARTICIPATIVA defende uma forma coletiva de tomada de decisões, sem, todavia, desobrigar as pessoas da responsabilidade individual. Uma vez tomada as decisões coletivamente, cada membro deve assumir sua parte no trabalho. Advoga formas de gestão participativa, mas não exclui a necessidade da coordenação.

Além disso, busca de objetividade no trato de questões da organização e gestão, mediante coleta de informações reais, sem prejuízo da consideração dos significados subjetivos e culturais. Também se utiliza de acompanhamento dos trabalhos, reorientação de rumos e ações, tomada de decisões.

 

As concepções de gestão escolar refletem diferentes posições politicas e concepções do papel da escola e da formação humana na sociedade. Portanto, o modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráter pedagógico, ou seja, depende de objetivos mais amplos sobre a relação da escola com a conservação ou transformação social. A concepção técnico-científica, por exemplo, valoriza o poder e a autoridade, exercidos unilateralmente. Ressalta relações de subordinação e rígidas determinações de funções e, ao supervalorizar a racionalização do trabalho e nome da eficiência e da produtividade, tende a retirar ou, ao menos, diminuir nas pessoas a faculdade de pensar e decidir sobre seu trabalho. (…) Por sua vez, as outras três concepções tem, em comum, uma visão de gestão que se opõe a forma de dominação e subordinação das pessoas e consideram essencial levar em conta os aspectos sociais, políticos e ideológicos, a construção de relações sociais mais humanas e justas, a valorização do trabalho coletivo e participativo.

(LIBÂNEO 2013 , pg 105)

REFERÊNCIAS

LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática; 6ª edição, São Paulo, Heccus Editora (2013).

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