A EDUCAÇÃO COMO TEMA DA SOCIOLOGIA (SONIA M. PORTELLA KRUPPA)

Este texto tem a finalidade de levantar aspectos mais importantes encontrados no capítulo primeiro do livro Sociologia da Educação (1994), de Kruppa.

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1-      O que torna possível a educação

A educação funciona, basicamente, como um agente socializador do ser humano. Torna-se necessária a incorporação de certos padrões comunitários ao indivíduo, para que o mesmo possa melhor conviver em grupo.

É grande a influência dos padrões sociais na cidadania dos indivíduos. Esses padrões chegam mesmo a interferir nos processos fisiológicos do organismo, na percepção do eu, do outro, do mundo. É possível, por exemplo, constatarmos que funções vitais, como a alimentação, estão sujeitas a determinações socialmente impostas. Temos fome em horários previamente determinados, aos quais nosso organismo se adapta.

(KRUPPA, Sonia M. Portella; 1994 pg 23)

Os indivíduos se reúnem e formam instituições sociais. Estes organismos tem a finalidade de satisfazer as necessidades do grupo atendido. Família, escola, igreja, são exemplos de tais instituições. Porém estas empresas não funcionam sempre para o bem do ser humano, a seguir analisaremos o trabalho como instituição social.

 

2-      A educação e a escola –  as relações entre saber e poder

Encontra-se na sociedade neoliberal uma “diferença entre homens”, basicamente estamos falando da divisão de renda encontrada e difundida em nossa vivência. Estas diferenças ligadas ao saber, são automaticamente transformadas em relação de poder, utiliza-se o saber como “posse” e forma de opressão com a maioria.

Em sociedades complexas, organizadas sob o sistema capitalista, onde a divisão do trabalho é bem maior, o conhecimentos e os outros bens materiais que o trabalho produz são distribuídos de maneira desigual. Quanto maior for essa desigualdade, maior será a relação entre saber e poder, porque, embora as condições para o saber sejam, como em qualquer sociedade, produzidas coletivamente, o conhecimento em si acaba ficando na mão de alguns. Aqui, o ditado “saber é poder”  aplica-se em sua dupla relação: “poder também é saber”.

(KRUPPA, Sonia M. Portella; 1994 pg 27)

A sociedade mantém uma relação dualista: divide-se entre os que pensam e os que executam. Nesta sociedade, o produto do conhecimento e os meios para a sua produção, estão distribuídos de maneira desigual: aos que tem poder (conhecimento), a maioria dos bens; aos pobres, apenas o suficientes para manter suas energias, ou nem isso.

Esta dualidade se encontra no trabalho. Quem detém a pesquisa e encaminha a solução para os problemas encontrados são os “técnicos”, cabendo aos trabalhadores, somente a execução das tarefas. Assim, embora a prática do trabalho coloque problemas à teoria, esta assume papel próprio, à parte daquele que executam o trabalho prático, retornando a eles apenas enquanto tarefas de execução específica (pg 28).

Nessas situações o trabalho se torna uma atividade de repetição coercitiva, deixando de ser uma atividade de criação e passando a ser uma atividade alienante, como apontava Marx. O objeto produzido, bem como o conhecimento decorrente do trabalho, não pertencem àqueles homens e apenas servem para aumentar a sua pobreza.

Cabe analisar que o problema não está, necessariamente, na divisão do trabalho, mas sim na perda de visão de conjunto que a grande maioria dos trabalhadores sofre, pelo fato de não deterem o controle do conhecimento produzido e da produção realizada. Na sociedade capitalista, essa perda de visão de conjunto, retratada pelo quê acontece com os operários na linha de produção, estende-se a toda a sociedade, nos níveis econômico, político e social, impedindo que a maioria dos trabalhadores tenha condições de interferir na direção dessa sociedade.

(KRUPPA, Sonia M. Portella; 1994 pg 29)

Uma das contradições encontradas na sociedade capitalista é a ausência simultânea da concentração de saber e das técnicas que permitiriam democratizá-lo. Porém, quem detém o conhecimento, também detém as condições de determinados saberes, que permitem controlar a sociedade.

 

3-      A educação escolar e a educação fora da escola

Já é consenso que a educação escolar é prioritariamente formal. Por este motivo, a escola é obrigada a organizar os conhecimentos transmitidos. Nota-se que estes conteúdos, na maioria das vezes, são impostos “de cima para baixo”,  tendo o enciclopedismo iluminista e  as ciências positivistas como seu carro-chefe.

Fora da escola o conhecimento é formado a partir de necessidades práticas, na sobrevivência diária do ser humano. Caso o conhecimento escolar se distancie da prática da sociedade, caindo assim em um abstracionismo acadêmico, o resultado escolar será marcado necessariamente pela exclusão daqueles que deveriam dominar esse conhecimento. Tem-se aí a fórmula para a reprodução da vida conservadora e desigual que norteia nossas vidas.

 

4-      Cultura/educação/conhecimento

Para KRUPPA, há uma diferença clara entre cultura e saber escolar. Para a escola ser bem sucedida, deve adaptar-se à cultura de seus alunos, já que cultura é algo criado em sociedade e não imposto por uma classe dominante.

Na realidade isto não acontece. Os valores da “classe média” são considerados modelos a serem seguidos por todos os educandos, pela “seleção”, “ritmo” e “avaliação” do conhecimento escolar. Argumenta-se então que o desenvolvimento cognitivo dos grupos mais pobres é insuficiente (pg 33).

As pessoas sabem fazer bem o que é prático e necessário para suas vidas. Logo, um currículo “abstrato” às classes oprimidas não surtirá o mesmo efeito comparado às classes dominantes.

(…) A escola, ao separar o espaço do aprendizado do espaço da existência, impede o sujeito de pensar o cotidiano com suas implicações. Essas parecem fragmentadas, como se o assalto a banco não tivesse nenhuma relação com a política salarial ou as medalhas de ouro conquistadas numa olimpíada com o investimento em uma área social.

(…) Educa-se para a competitividade e o sucesso e não para tecer laços de solidariedade que amenizam situações conflitivas. Em suma, falta à escola abordar o sentido da existência.

(BETTO, Frei in KRUPPA, Sonia M Portella ; pg 37  1994)

 

BIBLIOGRAFIA:

KRUPPA, Sonia M. Portella. Sociologia da Educação; Ed Cortez 1994.

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