EL SISTEMA, Eduardo Galeano

 

Los funcionarios no funcionan.
Los políticos hablan pero no dicen.
Los votantes votan pero no eligen.
Los medios de información desinforman.
Los centros de enseñanza enseñan a ignorar.
Los jueces condenan a las víctimas.
Los militares están en guerra contra sus compatriotas.
Los policías no combaten los crímenes, porque están ocupados en cometerlos.
Las bancarrotas se socializan, las ganancias se privatizan.
Es mas libre el dinero que la gente.
La gente esta al servicio de las cosas.
Tiempo de los camaleones: nadie ha enseñado tanto a la humanidad como estos humildes animalitos.
Se considera culto a quien bien oculta, se rinde culto a la cultura del disfraz.
Se habla el doble lenguaje de los artistas del disimulo. Doble lenguaje, doble contabilidad, doble moral: una moral para decir, otra moral para hacer.
La moral para hacer se llama realismo.
La ley de la realidad es la ley del poder. Para que la realidad no sea irreal, nos dicen los que mandan, la moral ha de ser inmoral.
Quien no se hace el vivo, va muerto. Estás obligado a ser jodedor o jodido, mentidor o mentido.
Tiempo del qué me importa, del qué le vas a hacer, del no te metas, del sálvese quien pueda.
Tiempo de los tramposos: la producción no rinde, el trabajo no vale.
En el Río de la Plata, llamamos bobo al corazón. Y no porque se enamora: lo llamamos bobo por lo mucho que trabaja.

Eduardo Galeano

English: Eduardo Galeano at Madrid Feria del L...

 Eduardo Galeano 

Os funcionários não funcionam.
Os políticos falam e nada dizem.
Os votantes votam mas não elegem.
Os meios de informação desinformam.
Os centros de ensino ensinam a ignorar.
Os juízes condenam as vítimas.
Os militares fazem guerra aos compatriotas.
Os polícias não combatem os crimes, ocupados a cometê-los.
As falências socializam-se, o lucro é privatizado.
É mais livre o dinheiro do que as pessoas.
As pessoas estão ao serviço das coisas.
Tempo de camaleões: ninguém ensinou tanto o homem como eles.
Diz-se culto quem bem oculta, presta-se culto à cultura do disfarce.
Fala-se a dupla linguagem da dissimulação. Dupla linguagem, dupla contabilidade, dupla moral: uma moral na palavra, outra na acção.
A moral da acção chama-se realismo.
A lei da realidade é a lei do poder.
Para a realidade não ser irreal, diz quem manda, a moral tem de ser imoral.
Quem não se faz vivo está morto.
Estás sujeito a quilhar ou ser quilhado,
a enganar ou ser enganado.
Tempo de a mim que me importa, de que é que se há-de fazer, de não te metas, de salve-se quem puder.
Tempo de embusteiros: a produção não rende, o trabalho não vale.
No Rio da Prata, chamamos tonto ao coração. E não é por se enamorar, mas por muito trabalhar.

 

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