De Ventura a Fidel , por Mateus Nikel

Curiosamente, só na metade é que a década de 8o resolveu mostrar que tinha algo de novo a oferecer: estávamos caindo na democracia. E nada dava mais trabalho do que ser plural e acei­tar o outro – não o igual ou semelhante, mas o oposto. A pri­meira lição do ano era, portanto, a de que democracia não é consenso, mas dissenso. Em termos de opinião, todos só são iguais perante a ditadura. Na democracia, tudo é diferença.
(…)
Em todo os campos, os novos ares se fizeram sentir. No telejornalismo, por exemplo, houve alguns momentos marcantes, em especial dois.O primeiro foi o debate na estatal TVE entre ninguém menos que o veteraníssimo dirigente comunista Luís Carlos Prestes e o economista ultra-liberal Roberto Campos, o comunismo e o capitalismo cara a cara. Outro marco foi a entrevista de Roberto D’Ávila com Fidel Castro. Pela primeira vez em vinte anos, o público brasileiro pôde ver e ouvir o que pensava um dos líderes políticos mais polêmicos do século.

VENTURA, Zuenir. Minhas Histórias dos Outros; Ed Planeta 2005 pg 140/141

A partir desta passagem resolvi mais uma vez tentar achar a bendita entrevista do Fidel ao Roberto D’ávila.

Desta vez tudo certo, a bendita da entrevista já estava no Youtube a mais de um ano !!!

Como já li muitas vezes, o fascínio de Fidel é totalmente parcial: ou o ama ou o odeia. É de fato que a Revolução Cubana foi um dos movimentos históricos mais inacreditáveis da história.

Neste exato momento me vem a memória os versos de Gullar.

“Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita
quanto a Revolução Cubana …”

Mais uma vez saio convicto que Castro é um dos estadistas mais inteligentes da História.

Nesta entrevista, Roberto D’avilla visita serra maestra e sai com o general pelas ruas de Havana. Só não sei que as criancinhas e passantes que perguntavam tudo à Fidel estavam ali montados. Apesar de se safar de algumas perguntas como: o problema do partido único e as eleições não diretas, Fidel dá um passeio nas respostas (parcialidade minha).

A dívida externa mais uma vez é citada. Mostra-se o absurdo que “países desenvolvidos”  nos obrigam a pagar !!!

É interessante como apenas sete fuzis e meia dúzia de homens conseguiram expulsar um ditador mais que apoiado pelos EUA em apenas 2 anos e meio. Como o próprio Castro relatou:

Se as ideias não são corretas fracassam. Nós só tinhamos ideias.

O que mais me chamou a atenção foi a defesa dos paredões de fuzilamentos, paredões estes que são alvos de ataque direto à revolução Cubana.

De acordo com Fidel Castro cerca de 20 mil camponeses cubanos foram assassinados por vingança pelas tropas de Batista. Se recentemente Sadam pagou por seus crimes sendo enforcado e em Nuremberg vários Nazistas tiveram os mesmo fim, porque tantas críticas aos paredones?

Peço que meus amigos me ajudem !!!

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