Wolffinianas

Eu me demitira de uma emissora de TV, pois a direção decidira fazer um programa para ganhar dinheiro à custa da miséria do povo, e eu acreditava que a televisão poderia vir a ser uma máquina para humanizar e não para tiranizar. Escrevi tanto sobre isso que acabei recebendo um convite de uma organização chamada Internationes para visitar a Alemanha e o seu sistema televisivo, na época, inteiramente estatal. Desde menino, mantenho um pé atrás em relação à Alemanha. Descendente de alemães que sou, sempre me perguntei o que faria se minha família não houvesse emi­grado para o Brasil no princípio do século XIX e eu hou­vesse nascido na Alemanha.

(…)

Em Stuttgart, meu guia, Frank Rafanowsky, levou-me à casa de Martin Heidegger, onde o filósofo me recebeu extremamente entediado. Por causa da maldita timidez que persegue todos os alcoólatras, eu bebera mais de cinco martínis e mal consegui gaguejar a minha admiração. Me pre­parara, lendo Sein undZeit (O Ser e o Tempo) sem entender nada. Sartre era bem mais fácil. Do que ele me disse, guardo a frase: “Em filosofia, não aconteceu nada de novo depois dos pré-socráticos.” Saí de sua casa modesta bastante aliviado.

 

WOLFF, Fausto; O Nome de Deus; Ed. Bertand do Brasil 1999, pg 72/73

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