Wolffinianas

Como eu, e a maioria dos leitores, Cabelinho era um consumidor eterno que aceitava tudo — comida, be­bida, lazer — passivamente. Como todos nós, em algum ponto, sua vida transformou-se numa mercadoria e passou a senti-la como um capital a ser investido com lucro. Como todos nós, seu valor estava na sua rentabilidade e não em suas qualidades de amor, sua possibilidade de raciocinar e sua capacidade artística.

(…) Seus gostos podiam ser facilmente padronizados, influenciados e previstos; um autômato alienado que trabalhava para satisfazer suas ne­cessidades que, por sua vez, eram dirigidas pela máquina política e econômica.

(…) Pen­sou e chegou à conclusão de que em dez anos — quando se aposentasse — estaria fazendo a mesma coisa e rece­bendo o mesmo salário, senão menor.

 

(…) e até o seu banco que ele amava e que juraram não seria privatizado, o foi. Há quem diga que foi essa privatização que detonou a psicose.

 

 

FAUSTO, Wolff; O Homem; O Nome de Deus; Ed. Bertand do Brasil 1999 pg 24/25

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